Sarampo: nenhum estado brasileiro atinge meta de vacinação e surtos no exterior preocupam
Baixa cobertura da segunda dose da tríplice viral e avanço de surtos nas Américas aumentam o alerta para a entrada e a transmissão do vírus no Brasil, que registrou 52 casos importados até 5 de outubro de 2026.
A cobertura vacinal contra o sarampo continua abaixo do recomendado em todos os estados brasileiros, acendendo um alerta para o risco de novos surtos. A meta das autoridades de saúde é vacinar pelo menos 95% do público-alvo com as duas doses da vacina tríplice viral, mas nenhuma unidade da Federação alcançou esse patamar em 2026.
A situação preocupa ainda mais diante do avanço da doença em outros países das Américas. Apesar de o Brasil manter o status de país livre da circulação endêmica do sarampo, casos importados continuam sendo registrados, o que reforça a importância da vacinação e da vigilância epidemiológica.
Dados divulgados em outubro pelo Ministério da Saúde apontavam 52 casos importados no país até 5 de outubro de 2026: 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro.
Segunda dose da vacina está abaixo da meta
A principal dificuldade está na aplicação da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Dados nacionais referentes ao período de janeiro a agosto de 2026 indicavam cobertura de aproximadamente 79,78% para a segunda dose, percentual bem abaixo dos 95% recomendados para reduzir o risco de transmissão sustentada do vírus.
Embora a primeira dose apresente resultados melhores, a queda na cobertura da segunda etapa deixa parte das crianças sem a proteção completa prevista no calendário de vacinação.
Entre os estados com índices mais baixos em 2026 estão Amapá, Pará, Maranhão e Rio de Janeiro. Mesmo os estados com os melhores resultados permanecem abaixo da meta estabelecida pelas autoridades sanitárias.
A baixa cobertura também varia entre os municípios. Isso significa que áreas com maior concentração de pessoas não vacinadas podem estar mais vulneráveis à disseminação da doença caso o vírus seja introduzido.
Surtos em outros países aumentam o risco de novos casos
O cenário internacional é outro motivo de preocupação. O sarampo voltou a circular com intensidade em diferentes países das Américas, incluindo Estados Unidos, México, Guatemala, Peru e Canadá.
A circulação internacional de pessoas facilita a entrada do vírus em territórios onde a transmissão endêmica foi interrompida. Quando uma pessoa infectada chega a uma comunidade com baixa cobertura vacinal, existe o risco de que o caso inicial provoque novas infecções.
O risco é especialmente relevante nas regiões de fronteira, onde há deslocamentos frequentes entre países. Por isso, o Ministério da Saúde reforçou as ações de vacinação e vigilância, incluindo busca ativa de pessoas com doses atrasadas e monitoramento de possíveis contatos de casos suspeitos.
Brasil recuperou certificação, mas precisa manter a vigilância
O Brasil recuperou, em novembro de 2024, a certificação internacional de eliminação da circulação endêmica do sarampo. Isso significa que o país conseguiu interromper a transmissão contínua do vírus, mas não impede a ocorrência de casos importados ou episódios isolados.
O histórico brasileiro mostra a importância de manter a imunização em níveis elevados. A partir de 2018, o país voltou a registrar ampla circulação da doença e, em 2019, perdeu a certificação após mais de 12 meses de transmissão sustentada.
A redução dos casos nos anos seguintes permitiu recuperar o status sanitário. No entanto, a circulação internacional do vírus e as falhas na vacinação continuam representando riscos.
A meta de 95% é importante porque o sarampo é altamente contagioso. Quanto maior a proporção de pessoas protegidas, menor a possibilidade de o vírus se espalhar a partir de um caso importado.
Quais são os sintomas do sarampo?
Os sintomas mais comuns incluem:
- Febre alta;
- Manchas vermelhas pelo corpo;
- Tosse;
- Coriza;
- Olhos avermelhados e irritados.
A doença pode provocar complicações graves, como pneumonia e inflamação do cérebro, especialmente em crianças pequenas e pessoas com maior vulnerabilidade.
Como os sintomas podem ser semelhantes aos de outras infecções, a suspeita de sarampo deve ser avaliada por um profissional de saúde. Pessoas com febre e manchas pelo corpo, especialmente após viagem ou contato com um caso suspeito, devem buscar orientação médica e avisar o serviço de saúde antes de comparecer presencialmente, para reduzir o risco de transmissão.
Quem deve tomar a vacina contra o sarampo?
A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pelo calendário de rotina infantil, a primeira dose é aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
Adolescentes e adultos que não tenham o esquema vacinal completo também devem verificar a situação na caderneta de vacinação e procurar uma unidade de saúde para receber orientação conforme a idade e o histórico de doses.
Em situações específicas de maior risco, as autoridades sanitárias podem recomendar estratégias adicionais de vacinação, como a chamada dose zero para determinados bebês. Essa dose extra não substitui as aplicações previstas no calendário de rotina.
A recomendação é conferir a caderneta e manter a vacinação atualizada. A imunização continua sendo a principal forma de prevenir formas graves da doença e evitar que casos importados provoquem novos surtos no Brasil.
Fonte: g1