Novas regras do Brasileirão 2026: veja o que muda a partir da 23ª rodada
Pacote aprovado pela CBF começa a valer na 23ª rodada do Campeonato Brasileiro e tem como objetivo reduzir a cera e aumentar o tempo de bola em jogo
O Brasileirão 2026 terá novas regras de arbitragem a partir da 23ª rodada, que começa neste fim de semana. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu antecipar a adoção de um pacote de medidas criado pela International Football Association Board (IFAB) para combater a chamada “cera” e aumentar o tempo de bola em jogo.
Boa parte das novas regras já foi testada durante a Copa do Mundo de 2026. A experiência no Mundial permite ter uma ideia de como as mudanças podem interferir nas partidas do Campeonato Brasileiro.
Entre as novidades estão limites de tempo para cobranças de lateral e tiro de meta, punições para goleiros que demorarem para repor a bola, alterações no procedimento de substituições, restrições à aproximação de jogadores do árbitro e o chamado “protocolo Vini Jr.”, que pode resultar em expulsão quando um atleta cobre a boca durante uma discussão.
A única medida do pacote que não foi utilizada na Copa do Mundo é a que determina que um jogador de linha deixe o campo por um minuto quando o goleiro de sua equipe receber atendimento médico.
Por que o Brasileirão terá novas regras?
A principal justificativa para as mudanças é o baixo tempo de bola em jogo no futebol brasileiro.
Um estudo realizado pela CBF Academy em parceria com a Opta analisou 177 partidas da Série A e apontou média de apenas 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por jogo.
O número coloca o Campeonato Brasileiro atrás de competições como Premier League, LaLiga, Bundesliga, Ligue 1, Serie A italiana e MLS no levantamento citado pela ESPN.
Com as novas regras, a CBF pretende elevar a média brasileira para aproximadamente 57 a 58 minutos no curto prazo. A meta de longo prazo é chegar a algo entre 59 e 60 minutos de bola rolando por partida.
Quando as novas regras entram em vigor no Brasileirão?
O pacote passa a ser aplicado a partir da 23ª rodada do Brasileirão 2026, nas Séries A e B.
A decisão foi tomada pelos clubes em reunião com a CBF. A maior parte das medidas foi aprovada por ampla maioria, enquanto o chamado protocolo Vini Jr. teve votação mais apertada.
A CBF decidiu antecipar a implementação de regras que deverão se tornar obrigatórias internacionalmente a partir de 2027.
Lei Vini Jr. já foi aplicada duas vezes na Copa do Mundo
Uma das mudanças que mais chamou atenção é a regra que pode levar à expulsão de jogadores que cubram a boca durante uma discussão com adversários.
A medida ficou conhecida como Lei Vini Jr. e foi aplicada duas vezes durante a Copa do Mundo de 2026.
O primeiro caso envolveu o paraguaio Miguel Almirón, expulso após cobrir a boca durante uma discussão com o turco Müldür.
O segundo ocorreu com o equatoriano Hincapié, que recebeu cartão vermelho depois de cobrir a boca durante um confronto com Santi Giménez.
Nos dois episódios, a arbitragem utilizou o protocolo previsto pela nova regulamentação.
A regra, entretanto, não será adotada por todas as grandes competições. Conmebol e Uefa decidiram não implementar o protocolo em seus torneios.
Cartão por simulação também ganhou novo tratamento
Outra mudança testada na Copa do Mundo permite uma intervenção do vídeo em situações de simulação que resultem em cartão amarelo.
O Mundial teve dois episódios que mostraram como o novo protocolo pode funcionar.
Em um deles, Almirón recebeu cartão amarelo por simulação, enquanto a advertência aplicada anteriormente a Ream foi cancelada após a revisão.
O segundo caso aconteceu entre Argentina e Suíça. Embolo foi punido por simulação e recebeu o segundo cartão amarelo, enquanto o cartão dado anteriormente a Paredes foi retirado.
A possibilidade de revisão busca diminuir erros de arbitragem em lances nos quais o jogador tenta induzir o árbitro a marcar uma infração que não aconteceu.
Lateral agora terá limite de cinco segundos
Uma das mudanças mais simples de entender envolve as cobranças de lateral.
O jogador terá cinco segundos para realizar a cobrança depois que estiver preparado para executar o lance.
Se ultrapassar o limite, a posse de bola passa para o adversário.
A regra foi colocada à prova sete vezes durante a Copa do Mundo de 2026.
Em um dos primeiros casos, o bósnio Kolasinac demorou oito segundos para cobrar o lateral contra o Canadá. O árbitro Facundo Tello identificou a demora e inverteu a posse.
Tiro de meta também terá cinco segundos
O mesmo princípio será aplicado aos tiros de meta.
Os goleiros terão cinco segundos para realizar a cobrança após o início da contagem visual do árbitro.
Se o prazo for ultrapassado, o adversário ganhará um escanteio.
Durante a Copa do Mundo, a regra foi aplicada três vezes.
Um dos casos aconteceu na partida entre Brasil e Haiti. O goleiro Placide demorou 10 segundos para executar o tiro de meta e a equipe foi punida com a reversão prevista na nova regulamentação.
Goleiro terá oito segundos para ficar com a bola
Outra mudança importante atinge diretamente os goleiros.
O jogador poderá permanecer com a bola nas mãos por até oito segundos.
Caso ultrapasse o limite, a posse será revertida e o adversário terá direito a um escanteio.
A medida faz parte do pacote criado para diminuir o tempo gasto em reposições e evitar que equipes usem o controle da bola para retardar o andamento da partida.
Jogador terá 10 segundos para sair na substituição
As substituições também ganharam uma regra contra a demora.
O atleta que for substituído terá 10 segundos para deixar o campo depois que o quarto árbitro sinalizar a alteração.
Se o jogador demorar além do permitido, o substituto poderá ter que esperar para entrar, deixando a equipe temporariamente com um jogador a menos.
Na Copa do Mundo, houve um caso registrado. O iraniano Ezatolahi levou 16 segundos para deixar o gramado, e o substituto só pôde entrar depois do período previsto pela nova regra.
Jogador atendido terá de ficar um minuto fora
Uma das mudanças mais utilizadas na Copa do Mundo foi a regra relacionada ao atendimento médico de jogadores de linha.
Quando um atleta recebe atendimento dentro do campo, ele precisa permanecer fora por pelo menos um minuto antes de retornar à partida.
Segundo o levantamento do Gato Mestre, a regra foi aplicada 36 vezes durante o Mundial.
A medida tem como objetivo evitar que jogadores utilizem atendimentos médicos como forma de interromper o jogo e ganhar tempo.
Goleiro atendido terá punição diferente no Brasileirão
O Brasileirão acrescentou uma medida que nem sequer foi utilizada na Copa do Mundo.
Quando um goleiro receber atendimento médico dentro do campo, um jogador de linha da mesma equipe também terá de deixar o gramado por um minuto.
O treinador ou o capitão ficará responsável por indicar qual atleta cumprirá a saída temporária.
A medida foi criada especificamente para combater situações em que atendimentos de goleiros interrompam a partida e contribuam para a perda de tempo.
O levantamento do Gato Mestre aponta que, caso essa regra já estivesse em vigor nas 22 primeiras rodadas do Brasileirão, ela teria sido aplicada 87 vezes.
Os atendimentos médicos a goleiros interromperam as partidas por um total de 2 horas, 44 minutos e 48 segundos nesse período.
Apenas o capitão poderá falar com o árbitro
Outra mudança envolve a relação entre jogadores e arbitragem.
Pelo novo protocolo, somente o capitão poderá se aproximar do árbitro para discutir decisões.
Quando quiser iniciar a conversa, o árbitro fará um sinal específico. Os demais jogadores deverão permanecer afastados.
Quem descumprir a determinação poderá receber cartão amarelo.
A ideia é reduzir os cercos ao árbitro e tornar as discussões durante as partidas mais organizadas.
VAR terá novas possibilidades de intervenção
O árbitro de vídeo também terá participação ampliada em algumas situações.
Uma das mudanças permite ao VAR revisar um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão.
O primeiro cartão amarelo, entretanto, não poderá ser revisado pelo vídeo.
Outra alteração está prevista para 2027: o VAR poderá analisar um escanteio marcado de maneira equivocada quando a sequência da jogada resultar diretamente em gol ou pênalti.
Regra do escanteio foi testada na Copa
Durante a Copa do Mundo, uma nova interpretação permitiu que uma cobrança fosse repetida quando uma infração cometida antes da bola entrar em jogo tivesse impacto direto na jogada.
Foi o que aconteceu na partida entre Noruega e Inglaterra.
Um gol norueguês foi anulado depois que a arbitragem identificou uma falta de Haaland sobre Elliot Anderson antes da cobrança do escanteio. A jogada foi interrompida e o escanteio precisou ser repetido.
Como as novas regras funcionaram na Copa do Mundo?
A experiência do Mundial mostra que as mudanças não ficaram apenas no papel.
Veja o número de aplicações contabilizadas pelo Gato Mestre:
| Nova regraAplicações na Copa do Mundo | |
| Lei Vini Jr. | 2 |
| Cartão por simulação/revisão | 2 |
| Repetição de cobrança | 1 |
| Reversão de lateral | 7 |
| Cera no tiro de meta | 3 |
| Cera na substituição | 1 |
| Minuto fora após atendimento | 36 |
| Atendimento de goleiro | Não se aplicava no Mundial |
O destaque foi a regra do minuto fora após atendimento médico, utilizada 36 vezes durante o torneio.
O que muda para os jogadores do Brasileirão?
Na prática, os atletas terão menos margem para retardar o reinício das partidas.
Goleiros precisarão acelerar as reposições, jogadores terão prazo para cobranças de lateral e tiro de meta e atletas substituídos não poderão caminhar lentamente até a saída.
Também haverá maior controle sobre discussões com a arbitragem e sobre determinadas simulações.
O objetivo é que as partidas tenham mais tempo efetivo de bola rolando, reduzindo os minutos perdidos com interrupções e estratégias de antijogo.
Novas regras podem mudar o futebol brasileiro?
A expectativa da CBF é que o pacote produza efeito já nas primeiras rodadas.
O futebol brasileiro registrou média inferior a 53 minutos de bola em jogo no estudo citado pela entidade, e a intenção é aproximar esse número de 60 minutos.
A experiência da Copa do Mundo será um importante parâmetro para avaliar o impacto das mudanças no Brasileirão.
O Mundial mostrou que algumas regras foram aplicadas poucas vezes, enquanto outras, como o minuto fora após atendimento médico, tiveram presença muito maior.
Quando começam as novas regras do Brasileirão?
As mudanças entram em vigor na 23ª rodada do Brasileirão 2026.
A CBF antecipou a adoção de medidas que fazem parte das alterações da IFAB e que deverão ser obrigatórias internacionalmente a partir de 2027.
Com isso, o Campeonato Brasileiro passa a ser uma das competições que adotam antecipadamente esse novo conjunto de protocolos de arbitragem.
Resumo das principais mudanças
- Goleiro: oito segundos com a bola nas mãos;
- Tiro de meta: cinco segundos para a cobrança;
- Lateral: cinco segundos para executar;
- Substituição: jogador terá 10 segundos para sair;
- Atendimento médico: jogador de linha ficará um minuto fora;
- Atendimento ao goleiro: um jogador de linha da mesma equipe também ficará um minuto fora;
- Arbitragem: somente o capitão poderá se aproximar para discutir decisões;
- Lei Vini Jr.: cobrir a boca durante discussão poderá resultar em expulsão;
- VAR: poderá revisar segundo cartão amarelo que resulte em expulsão;
- Escanteios: haverá ampliação da possibilidade de revisão pelo VAR a partir de 2027.
Conclusão
As novas regras do Brasileirão 2026 representam uma tentativa de mudar o comportamento dentro de campo e tornar os jogos mais dinâmicos.
A Copa do Mundo serviu como um primeiro grande laboratório para várias dessas medidas. Algumas tiveram poucas aplicações, enquanto outras apareceram dezenas de vezes.
Agora, a partir da 23ª rodada, os clubes brasileiros terão de se adaptar ao novo protocolo.
A principal aposta da CBF é simples: menos cera, menos tempo perdido e mais futebol efetivamente jogado.