El Niño muito forte pode atingir nível histórico no fim de 2026; chance chega a 90%, alerta agência dos EUA
Fenômeno climático deve ganhar força entre outubro e dezembro e pode estar entre os mais intensos desde 1950; Brasil pode ter chuva acima da média no Sul e tempo mais seco em outras regiões
A possibilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026 chegou a 90%, segundo a atualização mais recente do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). A projeção representa uma alta em relação aos 81% estimados em julho e reforça o alerta para os possíveis impactos do fenômeno no clima mundial.
Além da elevada probabilidade de um episódio muito forte, os dados apontam 69% de chance de que o El Niño alcance níveis históricos, superando a intensidade dos eventos registrados desde 1950. A possibilidade aumenta a atenção de meteorologistas e órgãos ambientais diante dos efeitos que mudanças na circulação atmosférica podem provocar nos próximos meses.
El Niño deve se intensificar até o fim do ano
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas da superfície do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
A NOAA já havia indicado, em julho, que o fenômeno estava se fortalecendo e apresentava 81% de probabilidade de atingir a categoria “muito forte” no trimestre de outubro a dezembro. Agora, a nova previsão elevou esse índice para 90%.
O cenário é considerado especialmente relevante porque os modelos indicam que o fenômeno pode permanecer ativo até os primeiros meses de 2027. A NOAA também havia estimado anteriormente 97% de probabilidade de manutenção do El Niño até o início da primavera do próximo ano.
El Niño pode ser um dos mais fortes da história
Um dos pontos que mais chama a atenção na atualização é a possibilidade de o fenômeno atingir uma intensidade excepcional.
De acordo com as novas projeções, existe 69% de probabilidade de o El Niño alcançar um patamar considerado histórico entre outubro e dezembro, cenário que poderia superar os eventos mais intensos registrados desde o início da série histórica, em 1950.
Entre os episódios mais conhecidos estão os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, que provocaram alterações significativas nos padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
Especialistas, entretanto, ressaltam que a intensidade do El Niño não determina automaticamente o comportamento do clima em todas as localidades. Os efeitos variam conforme a região e também dependem da interação do fenômeno com outras condições atmosféricas e oceânicas.
Quais podem ser os efeitos do El Niño no Brasil?
No Brasil, um El Niño forte costuma provocar mudanças importantes na distribuição das chuvas. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno tende a favorecer períodos mais chuvosos na Região Sul, enquanto pode aumentar o risco de condições mais secas em áreas do Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste e Sudeste.
As projeções divulgadas nesta quinta-feira também apontam para a possibilidade de chuvas acima da média no Sul do Brasil, enquanto o Norte e o Nordeste podem registrar precipitações abaixo do normal. Em grande parte do país, a tendência é de temperaturas elevadas, com exceção do Rio Grande do Sul, onde os efeitos podem ser diferentes.
Risco de calor e queimadas aumenta
A mudança nos padrões de chuva e temperatura também pode ampliar os riscos ambientais. Em regiões que enfrentarem períodos mais secos e quentes, o cenário pode favorecer o aumento de queimadas e incêndios florestais, principalmente em áreas vulneráveis da Amazônia e do Pantanal.
O impacto também pode alcançar setores como agricultura e geração de energia. O Inmet destaca que alterações no regime de chuvas provocadas pelo El Niño podem afetar diretamente a produção agrícola, com efeitos distintos entre as regiões brasileiras. No Sul, por exemplo, o excesso de chuva pode provocar encharcamento do solo e dificultar operações no campo.
Monitoramento continuará nos próximos meses
Apesar da elevada probabilidade, os meteorologistas destacam que as previsões climáticas são atualizadas continuamente e que a evolução do El Niño precisa ser acompanhada ao longo dos próximos meses.
A próxima atualização oficial da discussão diagnóstica do fenômeno está prevista para setembro. Até lá, novas medições do Oceano Pacífico e da atmosfera devem ajudar a indicar com maior precisão a intensidade do evento e seus possíveis efeitos regionais.
O que é El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial. A alteração das temperaturas do oceano interfere na circulação atmosférica e pode provocar mudanças nos regimes de chuva, temperatura e ocorrência de eventos extremos em diferentes continentes.
Para o fim de 2026, a principal preocupação dos meteorologistas é justamente a intensidade que o fenômeno pode alcançar. Com 90% de chance de um El Niño muito forte e 69% de possibilidade de um evento histórico, o cenário exige monitoramento constante e preparação dos setores mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.