Crise no Paraguai: impeachment de Santiago Peña avança e país vive impasse político
Presidente anunciou renúncia, mas continua no cargo enquanto Senado analisa o processo.
O Paraguai enfrenta um dos momentos mais delicados de sua política recente. Nesta sexta-feira (6), o Senado deu continuidade ao processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, em meio à crise provocada pelo colapso do banco digital Ueno Bank.
Embora tenha anunciado sua renúncia na quinta-feira (5), Peña ainda não deixou oficialmente o cargo. O Congresso não concluiu a votação sobre o pedido, e o julgamento político segue em andamento. Com isso, o país vive um impasse institucional: o presidente permanece formalmente no comando, enquanto os parlamentares discutem sua possível destituição.
Senado rejeita prazo extra pedido por Peña
A defesa de Santiago Peña solicitou 72 horas adicionais para preparar a resposta às acusações. O pedido foi rejeitado pelo Senado nesta sexta-feira, permitindo o avanço do julgamento.
As acusações apresentadas contra o presidente incluem possível conflito de interesses, interferência na fiscalização do sistema financeiro, irregularidades envolvendo recursos previdenciários e tentativa de encobrimento institucional de problemas relacionados ao Ueno Bank.
Peña contesta as acusações. Seus advogados também questionaram o prazo concedido para a preparação da defesa e a validade dos procedimentos.
Para aprovar o impeachment, são necessários pelo menos 30 votos dos 45 integrantes do Senado paraguaio. Até a última atualização, não havia confirmação de uma decisão final sobre o afastamento.
Renúncia ainda não foi oficializada
A tentativa de renúncia anunciada por Peña não encerrou a crise. A votação sobre o pedido não foi concluída por falta de quórum, e o presidente continua sendo oficialmente o chefe de Estado.
A situação também envolve o vice-presidente Pedro Alliana, que ainda não havia tomado posse. Ele poderá assumir a Presidência caso Peña seja definitivamente afastado ou se a renúncia for formalmente aceita.
A discussão sobre a renúncia ganhou dimensão política porque, segundo parlamentares e especialistas ouvidos pela imprensa, sua aceitação poderia garantir a Peña o status de senador vitalício, com imunidade parlamentar. O tema aumentou a resistência de setores do Congresso à saída pela via da renúncia.
Crise do Ueno Bank deixou milhões de clientes afetados
O centro da crise é o Ueno Bank, instituição que sofreu intervenção das autoridades financeiras paraguaias após problemas graves de solvência.
A instituição atendia aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional. A suspensão dos serviços bancários deixou correntistas sem acesso a economias, salários e outros recursos.
A crise provocou protestos em Assunção, onde clientes exigem a devolução do dinheiro e a responsabilização dos envolvidos. Algumas pessoas começaram a recuperar valores, mas a situação dos correntistas ainda é acompanhada de perto pelas autoridades.
O caso também levou à abertura de investigações criminais. O Ministério Público paraguaio apura possíveis irregularidades na fiscalização e na resolução do banco, além da destinação de recursos públicos depositados na instituição.
Paraguai segue sob pressão política e econômica
A instabilidade preocupa não apenas a população paraguaia, mas também investidores e países vizinhos, especialmente o Brasil, um dos principais parceiros econômicos do Paraguai.
O avanço do impeachment, a indefinição sobre a saída de Peña e a situação dos clientes do Ueno Bank aumentam a pressão sobre as instituições do país. O governo e os órgãos reguladores tentam evitar que a crise bancária se transforme em um problema mais amplo para o sistema financeiro.
Até a atualização desta sexta-feira (6), Santiago Peña continuava oficialmente na Presidência, o Senado havia retomado o julgamento de impeachment e ainda não havia uma decisão definitiva sobre seu afastamento. O futuro político do país depende dos próximos passos do Congresso e da evolução das medidas para devolver os recursos aos correntistas.
Fonte : G1