Caixa confirma avanço em negociação com o Corinthians para quitar dívida da Arena
Clube propõe ceder os direitos de nome da Neo Química Arena e oferecer outros produtos comerciais ao banco. Débito é estimado em R$ 630 milhões, mas ainda não há acordo definitivo.
A Caixa Econômica Federal confirmou nesta sexta-feira (16) que avançou nas negociações com o Corinthians para buscar alternativas relacionadas à dívida da Neo Química Arena. O clube paulista tenta encerrar o débito de aproximadamente R$ 630 milhões com uma proposta que envolve os naming rights do estádio e outros produtos comerciais.
Em nota conjunta, o banco e o Corinthians informaram que as conversas avançaram para avaliar alternativas de relacionamento entre as instituições. Representantes dos dois lados se reuniram em Brasília e assinaram um termo de confidencialidade, que permite aprofundar as tratativas sem divulgar informações consideradas reservadas.
Corinthians propõe entregar os naming rights à Caixa
A principal proposta em discussão prevê que a Caixa passe a explorar comercialmente o nome do estádio, atualmente chamado Neo Química Arena. Em contrapartida, o valor negociado poderia ser utilizado para quitar a dívida do financiamento da construção.
Segundo o ge, a diretoria corintiana estima que os direitos de nome do estádio possam valer cerca de R$ 70 milhões por temporada. O contrato atual com a Hypera Pharma prevê pagamento anual de aproximadamente R$ 15 milhões, corrigido pela inflação, desde 2020.
Ainda não foram definidos o prazo de uma eventual parceria nem o nome que a arena adotaria caso a negociação seja concluída. Entre as possibilidades discutidas estão nomes ligados à própria Caixa.
Negociação inclui outros produtos financeiros
A proposta apresentada pelo Corinthians vai além dos direitos de nome do estádio. As conversas também envolvem a possibilidade de transferir operações financeiras do clube para a Caixa, incluindo contas e folha de pagamento.
Outras alternativas em avaliação incluem produtos financeiros associados ao Corinthians, cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor e operações relacionadas à comercialização de ingressos.
A negociação busca criar uma parceria comercial que permita ao clube reorganizar suas obrigações financeiras com o banco. No entanto, os termos ainda precisam ser discutidos e formalizados.
Reunião teve participação de Guilherme Boulos e da Gaviões da Fiel
O encontro realizado em Brasília contou com a presença do presidente do Corinthians, Osmar Stabile, de dirigentes da Caixa, do ministro Guilherme Boulos e de representantes da torcida organizada Gaviões da Fiel.
A participação dos representantes da torcida ocorreu em meio à mobilização de torcedores em torno da situação financeira do estádio. O termo de confidencialidade assinado na reunião permite que as partes compartilhem informações e avaliem alternativas, mas não significa que a dívida tenha sido perdoada ou que o acordo esteja fechado.
Clube já recebeu parte de valores que estavam retidos
Paralelamente às negociações, o Corinthians conseguiu liberar parte dos recursos mantidos em uma conta de reserva vinculada ao financiamento da Arena. Em outubro, o clube recebeu R$ 13,5 milhões de um total de R$ 27 milhões que estavam depositados nessa conta.
O dinheiro foi destinado ao pagamento de compromissos financeiros do clube, incluindo salários atrasados. A liberação dos recursos foi tratada separadamente das conversas sobre os naming rights e não representa redução automática do saldo devedor.
Dívida ainda depende de uma solução definitiva
A confirmação de avanço nas conversas representa uma nova etapa da negociação entre Corinthians e Caixa, mas o valor devido pela construção da Neo Química Arena continua sendo uma questão financeira relevante para o clube.
Para que a proposta resulte na quitação do débito, será necessário definir os valores, o período de exploração comercial e as demais condições da parceria. Até que isso seja formalizado, a mudança no nome do estádio e o encerramento da dívida permanecem como possibilidades em negociação.
Fontes: ge