Bets ainda têm R$ 159 milhões para devolver aos apostadores; veja como receber o dinheiro
Mais de R$ 1 bilhão já foi restituído após o encerramento de plataformas de apostas online; bancos têm até 14 de outubro para devolver os valores restantes, e oito empresas ainda precisam fornecer informações para viabilizar os pagamentos.
Os apostadores brasileiros ainda têm R$ 159 milhões a receber de plataformas de apostas online, conhecidas como bets. Segundo dados informados pelas próprias empresas ao governo federal, o valor corresponde aos saldos que permaneceram nas contas dos usuários após o encerramento do prazo para retirada voluntária do dinheiro, em 5 de outubro de 2026.
A devolução dos recursos está prevista para ocorrer por meio dos bancos e das instituições financeiras até 14 de outubro. O processo acontece após a interrupção das operações das plataformas abrangidas pela Medida Provisória nº 1.394/2026.
De acordo com os dados divulgados em 10 de outubro, mais de R$ 1 bilhão já havia sido devolvido aos apostadores. O saldo pendente, que inicialmente era de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, caiu para R$ 159 milhões após a atualização das informações pelas empresas.
O levantamento contempla cerca de 22,5 milhões de apostadores, distribuídos em 70,5 milhões de contas com valores remanescentes.
Dinheiro das bets: quem ainda tem valores a receber?
Os R$ 159 milhões que permanecem pendentes pertencem a usuários que não conseguiram ou não solicitaram o saque dentro do prazo estabelecido para a retirada voluntária dos recursos.
Apesar do encerramento desse período, o dinheiro não é automaticamente perdido. A restituição passa a seguir o procedimento definido pelo governo federal, com participação das instituições financeiras responsáveis pela transferência dos valores.
A maior parte dos saldos restantes é de pequeno valor. Conforme os dados apresentados pelas empresas, 90% das contas possuem menos de R$ 1 disponível para restituição, enquanto 97% apresentam saldo inferior a R$ 10.
Os números representam contas, e não necessariamente pessoas diferentes, já que um mesmo apostador pode ter cadastro em várias plataformas.
Oito empresas ainda não enviaram dados para devolução
Um dos principais obstáculos para a conclusão dos pagamentos é a falta de informações necessárias para identificar os valores e os destinatários das transferências.
Até a divulgação dos dados, oito empresas de apostas ainda não haviam encaminhado às instituições financeiras todas as informações exigidas para viabilizar a restituição.
Esses dados incluem os valores vinculados a cada CPF e as informações das contas bancárias utilizadas nas movimentações financeiras. Sem esses registros, os bancos podem enfrentar dificuldades para identificar os beneficiários e realizar os pagamentos corretamente.
Diante do problema, a Advocacia-Geral da União (AGU) pretende recorrer à Justiça para obrigar as empresas a fornecerem as informações pendentes.
A medida busca garantir que os recursos sejam devolvidos aos seus respectivos titulares, mesmo após o encerramento das operações das plataformas abrangidas pela determinação federal.
Como receber o dinheiro que ficou nas bets?
Os apostadores que possuem saldo remanescente devem acompanhar as movimentações da conta bancária utilizada para realizar depósitos nas plataformas de apostas.
A orientação é verificar os extratos e acompanhar os comunicados oficiais sobre o procedimento de restituição.
Veja o que fazer:
- Consulte sua conta bancária: acompanhe os extratos da instituição financeira utilizada para depositar dinheiro na plataforma.
- Verifique as movimentações: procure por eventuais transferências relacionadas à devolução dos saldos das apostas.
- Acompanhe os canais oficiais: consulte as informações divulgadas pelo Ministério da Fazenda e pelas instituições financeiras responsáveis.
- Não forneça dados a desconhecidos: desconfie de mensagens que prometam liberar o dinheiro mediante o envio de senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias.
- Não pague taxas antecipadas: não faça pagamentos para supostamente desbloquear ou acelerar a restituição dos valores.
A devolução não deve ser confundida com um novo saque solicitado diretamente em uma plataforma que encerrou suas operações. O procedimento ocorre por meio das instituições financeiras, conforme as regras estabelecidas pelo governo.
O que acontece se o banco não conseguir devolver o saldo?
Caso existam impedimentos para a restituição dos valores pelas instituições financeiras, os recursos remanescentes deverão ser encaminhados à Caixa Econômica Federal a partir de 14 de outubro, que ficará responsável por viabilizar os pagamentos pendentes.
As orientações específicas para essa etapa deverão ser acompanhadas pelos canais oficiais do governo e da instituição financeira.
Por isso, quem ainda tem dinheiro a receber deve guardar comprovantes de depósitos, registros de movimentações e outras informações que possam ajudar a demonstrar a existência do saldo.
Governo intensifica combate às plataformas ilegais de apostas
Além da restituição dos recursos, o governo federal intensificou as ações contra sites e canais que oferecem apostas de forma irregular.
Entre 25 de setembro e 9 de outubro de 2026, foram encaminhados para bloqueio 16.627 sites ilegais de apostas. No mesmo período, também foi solicitada a remoção de 3.691 páginas, perfis, canais, grupos e servidores em plataformas digitais.
As medidas fazem parte das ações de fiscalização relacionadas ao mercado de apostas online e buscam restringir a atuação de operadores considerados ilegais.
Para os consumidores, o cenário reforça a importância de acompanhar as informações oficiais e evitar o compartilhamento de dados pessoais em páginas que prometem recuperar valores de maneira imediata.
Prazo para devolução dos R$ 159 milhões termina em 14 de outubro
A restituição dos saldos remanescentes representa uma etapa importante do processo de encerramento das plataformas de apostas abrangidas pela medida federal.
Embora mais de R$ 1 bilhão já tenha sido devolvido, a conclusão dos pagamentos depende da atuação dos bancos e do fornecimento das informações necessárias pelas empresas responsáveis pelos valores.
Com o prazo previsto para 14 de outubro, os apostadores devem monitorar suas contas bancárias e acompanhar os comunicados oficiais para verificar como os recursos serão restituídos.
A principal recomendação é não considerar o dinheiro perdido apenas porque o prazo de saque voluntário terminou. Os valores remanescentes seguem sujeitos ao procedimento de restituição previsto pelo governo, respeitadas as condições operacionais necessárias para identificar os beneficiários e efetuar os pagamentos.
Fonte: informações divulgadas pela Agência Brasil, com base em dados enviados pelas empresas de apostas ao governo federal.