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Apple muda estratégia e foca em iPhones mais caros em meio à crise de chips

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Apple muda estratégia e foca em iPhones mais caros em meio à crise de chips

A Apple mudou sua estratégia de lançamentos e decidiu concentrar a primeira apresentação da nova geração nos modelos mais caros. A decisão acontece em meio à escassez de chips de memória, aumento dos custos de produção e avanço da inteligência artificial.

A Apple adotou uma nova estratégia para o lançamento da linha iPhone 18. Pela primeira vez, a empresa apresentou inicialmente apenas os modelos mais caros da geração: iPhone 18 Pro, iPhone 18 Pro Max e iPhone Duo, primeiro smartphone dobrável da companhia.

Os modelos tradicionais ficaram de fora da apresentação desta quarta-feira (9). O iPhone 18, o iPhone 18e e a nova geração do Air devem ser apresentados posteriormente.

Em anos anteriores, a Apple costumava anunciar os modelos básicos e profissionais no mesmo evento, mesmo quando as datas de chegada às lojas eram diferentes. A mudança agora concentra a temporada de fim de ano nos aparelhos de maior valor e margem de lucro.

A estratégia também está relacionada a um problema que afeta toda a indústria de tecnologia: a escassez de chips de memória e o aumento dos custos de produção.

Crise de chips influencia estratégia

Com a expansão dos data centers voltados para inteligência artificial, fabricantes de memória passaram a direcionar uma parcela maior de sua capacidade de produção para componentes mais sofisticados e rentáveis.

Com isso, a oferta de memória destinada aos smartphones ficou mais limitada e os custos aumentaram. Para a Apple, lançar simultaneamente diversos modelos exigiria mais componentes, linhas de produção e combinações logísticas.

Ao dividir o calendário de lançamentos, a companhia consegue reduzir parte dessa pressão e priorizar inicialmente os aparelhos com maior capacidade de absorver os custos adicionais.

Em vez de assumir integralmente o aumento das despesas, a Apple repassou parte da inflação dos componentes aos consumidores. O iPhone 18 Pro começa em US$ 1.199 nos Estados Unidos, enquanto o iPhone 18 Pro Max parte de US$ 1.299. Os dois modelos ficaram US$ 100 mais caros em relação aos antecessores.

O reajuste, porém, ficou abaixo de algumas projeções de Wall Street. O Bank of America esperava aumentos de US$ 150 a US$ 200, enquanto o Citi estimava preços iniciais de US$ 1.299 para o Pro e US$ 1.399 para o Pro Max.

iPhone dobrável chega como modelo mais caro da história

O novo iPhone Duo, primeiro aparelho dobrável da Apple, também chegou com preço elevado. O modelo foi lançado por US$ 1.999, abaixo dos US$ 2.099 projetados pelo Bank of America e de estimativas que chegavam a US$ 2.500.

Mesmo assim, o aparelho se tornou o celular mais caro já lançado pela Apple. No Brasil, os preços começam em aproximadamente R$ 22 mil.

A empresa também aumentou em US$ 100 os preços iniciais de alguns modelos anteriores que continuarão disponíveis no catálogo. A medida indica que a pressão sobre os custos não está restrita aos novos lançamentos e que a Apple está reposicionando sua linha de smartphones em uma faixa de preço mais alta.

Apple aposta no público de maior renda

A estratégia acontece em um momento de pressão sobre o consumo nos Estados Unidos. Famílias de renda baixa e média vêm buscando descontos, trocando marcas e adiando compras.

O comportamento, entretanto, não é igual entre todas as faixas de renda. Consumidores de maior poder aquisitivo continuam apresentando uma demanda mais resistente e permitem que empresas aumentem preços com menor impacto sobre as vendas.

É justamente esse público que a Apple pretende priorizar.

O Citi avalia que a empresa possui algumas vantagens nesse cenário, como uma base de consumidores de maior renda, opções de financiamento, força da marca e maior acesso a componentes.

O banco projeta uma queda de 14% nas vendas globais de smartphones em 2026, mas estima crescimento de 1% nas vendas de iPhones, chegando a 246 milhões de aparelhos. Para 2027, a projeção é de 263 milhões de unidades, alta de 7%.

Inteligência artificial é outro desafio

Além da crise de chips, a nova estratégia da Apple ocorre em meio à pressão para avançar no setor de inteligência artificial.

A companhia ficou atrás de empresas como Google, Microsoft e OpenAI na corrida pelos modelos generativos. Os atrasos relacionados à reformulação da Siri aumentaram as cobranças de investidores e levantaram dúvidas sobre a capacidade da Apple de transformar sua enorme base de dispositivos ativos em uma vantagem competitiva no setor.

A resposta da empresa é apostar na integração entre hardware, software e inteligência artificial. Em vez de concentrar sua estratégia apenas em modelos de IA, a Apple busca destacar a integração desses recursos dentro de seu próprio ecossistema.

Parte do processamento acontece diretamente nos dispositivos. Quando há necessidade de utilizar a nuvem, a empresa afirma priorizar uma infraestrutura privada, reforçando a promessa de oferecer recursos personalizados sem abrir mão da privacidade dos usuários.

O iPhone Duo representa essa estratégia ao combinar o novo chip A20 Pro, duas telas, sistema operacional adaptado ao formato dobrável e recursos de inteligência artificial.

A principal dúvida agora é se essa integração será suficiente para convencer os consumidores a pagar cerca de US$ 2 mil por um smartphone dobrável e se a nova Siri conseguirá entregar recursos capazes de competir com os principais rivais do setor.

Mercado acompanha reação às novidades

As ações da Apple chegaram a cair cerca de 2% durante o evento de lançamento, antes de reduzirem as perdas e encerrarem o pregão com queda de 0,27%.

A reação, porém, não é necessariamente um indicativo do desempenho futuro da empresa. Historicamente, as ações da Apple costumam apresentar movimentos de realização de lucros após grandes lançamentos.

O Bank of America aponta que os papéis da companhia tiveram desempenho positivo em diversas janelas posteriores aos anúncios de novos iPhones. Após o lançamento do iPhone 11, em 2019, por exemplo, as ações avançaram cerca de 20% em dois meses.

Atualmente, tanto Bank of America quanto Citi mantêm recomendação de compra para as ações da Apple. O BofA trabalha com preço-alvo de US$ 380, enquanto o Citi projeta US$ 365.

Para os investidores, o sucesso da nova estratégia dependerá principalmente da aceitação dos preços mais altos, do desempenho do iPhone Duo no mercado de dobráveis e da capacidade da Apple de transformar sua integração entre hardware, software e inteligência artificial em uma vantagem competitiva.

Fonte: CNN Brasil.

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