Nota-se à primeira vista o empenho dos astros em desenhar a cartografia do amor entre Agatha Moreira e Rodrigo Simas. Os dois têm os mesmos 34 anos, dividem o mês de aniversário e a profissão — são capricornianos, cariocas e conscientemente irresistíveis. “Somos muito parecidos, principalmente nos nossos defeitos. É quase um espelho”, ela diz.
Para os aficionados por histórias de amor, até os títulos das produções pareciam emitir sinais sobre o futuro do casal. A primeira vez dos dois juntos em cena foi em Malhação: Intensa como a vida (tv Globo, 2012), quando estrearam na teledramaturgia e se tornaram amigos. O casal está junto desde 2018, quando se reencontrou durante as gravações de Orgulho & Paixão (tv Globo), novela na qual viveram um par romântico. Levaram cerca de sete meses para reconhecer que a amizade havia se transformado em amor e, só então, aceitar o primeiro rótulo da relação: namorados.
Apesar de viverem juntos e se considerarem casados, Rodrigo e Agatha não pensam em subir ao altar. O motivo? Não acreditam na possibilidade de celebrar uma festa que dure apenas um dia. Nas palavras de Agatha, eles são inimigos do fim. “Começamos a fazer a lista de convidados e desistimos. Não tem como, teria que alugar o Maracanã”, ela diz. Quem os acompanha nas redes sociais os vê em festas, shows, festivais e viagens — quase sempre rodeados de amigos. “Somos bem festeiros e gostamos bastante de curtir a vida”, diz Rodrigo.
Serem essa metade quase idêntica talvez explique os oito anos de relacionamento e os 14 de amizade. Eles não querem ser perfeitos — e nem poderiam. Foi encarando o reflexo um do outro que aprenderam a lidar com os próprios defeitos. “Nós criticamos, mas conseguimos enxergar exatamente o que fazemos igual. Ter esse espelho o tempo todo é muito importante para a nossa evolução”, afirma Agatha. Mas serem tão parecidos às vezes também acentua as diferenças. Rodrigo assume que levou um tempo para se acostumar com o ritmo da companheira e, por isso, não é raro que os dois saiam de casa separados. “O tempo da Agatha é diferente do meu. Isso me irritava muito no início do nosso relacionamento, mas eu aprendi a respeitar. Quando ela sabe que vai demorar, já fala: ‘Amor, vai na frente para a gente não brigar. Daqui a pouco eu chego’”, conta.
Existe uma boa parcela de pessoas que os enxerga como “o casal mais gostoso do Brasil”, segundo consta em praticamente qualquer publicação nas redes sociais em que aparecem juntos. Outros comentários revelam desejos menos moderados: “Queria estar no meio”, escreveu uma das seguidoras em um vídeo no qual eles protagonizam um “arrume-se comigo”. O assédio é real, mas não os incomoda. “É muito gostoso o carinho que recebemos e, com certeza, temos esse privilégio de ter majoritariamente um público que torce muito por nós”, afirma Agatha.
As marcas também os adoram. O casal costuma estrelar campanhas publicitárias que refletem o estilo de vida dos dois — a sensualidade que transmitem quando estão juntos cria um magnetismo difícil de ignorar. Rodrigo também se diverte com a brincadeira dos fãs, mas faz questão de estabelecer limites para que as pessoas não confundam admiração com intimidade. “O equilíbrio entra porque, se deixarmos, as pessoas dão opinião na nossa vida sem saber da nossa vida, só de um minirrecorte que postamos. Temos cuidado para não sermos influenciados por esse tipo de intervenção”, afirma.
“Um diálogo sem hipocrisia” — é assim que Rodrigo define as conversas que o casal tem sobre desejo dentro da relação. Eles dispensam os rótulos que envolvem a monogamia e se definem apenas como “casados”. “Acho que nossa maior definição é ter esse diálogo aberto para entender qual é o sentimento de cada um naquele momento. É saber que as coisas mudam e que, na relação, existem fases, mas que o outro está ali para te ouvir sem te julgar. Independentemente de qualquer coisa, queremos que o outro seja feliz”, explica Agatha. Para ela, dentro do casamento, a transparência precisa ir além do tesão. “É importante poder ser eu até no auge da minha vulnerabilidade.”
A honestidade que sustenta a relação fez com que Agatha se surpreendesse com a repercussão em torno da sexualidade de Rodrigo. Em 2023, quando ele falou publicamente sobre ser um homem bissexual, parte do público presumiu que ela não soubesse. “Conheço o Rodrigo muito antes de a gente começar a se relacionar enquanto casal. Esse julgamento me fez questionar que tipo de relação as pessoas estão tendo por aí, a ponto de acharem normal não saber da sexualidade do seu parceiro”, diz.
Para ele, a reação tem relação direta com o tabu que ainda envolve o tema. “A sociedade é doutrinada para esse lugar. Então fugir um pouco desse padrão já choca. Sempre acham que a bissexualidade é estar em cima do muro e, por isso, ela não é legitimada”, diz. Já Agatha observa os estereótipos que envolvem o sexo homoafetivo de forma mais ampla. “Eu acho que o sexo entre dois homens é marginalizado e o entre duas mulheres é vulgarizado.”
“É importante poder ser eu até no auge da minha vulnerabilidade”, diz Agatha Moreira.