Mais de 30 anos após ser exibida na TV Globo, “A viagem” continua sendo comentada, especialmente agora que a novela ganhará uma nova versão em formato de filme. Guilherme Fontes, que interpretou Alexandre na trama de 1994, conta que o trabalho vem lhe rendendo frutos até hoje:
— É fabuloso, mais do que eu podia esperar. E prova a força que um personagem pode ter na vida das pessoas. Eu diria que ele me dá mais dinheiro hoje do que deu na época. É um personagem que virou meme e figurinha.
Produzido pelos Estúdios Globo, o filme inspirado na novela de Ivani Ribeiro terá Pedro Novaes no papel do espírito obsessor interpretado por Guilherme. Ele fala da expectativa para o projeto e revela qual conselho daria ao jovem ator:
— Eu acho que uma obra tem obrigação de encontrar mais de um formato. Hoje em dia, no mundo digital, tem que ser feito isso. O Pedro é um ator talentoso. Ele não falou comigo, e ele está certo. É assim que tem que ser mesmo: você precisa ficar livre para poder criar. Senão ele fica me copiando, e a ideia não é essa. Não é uma paródia. Acho isso muito valioso. É melhor que ele tenha esse olhar próprio. E vai ser brilhante.
O próprio Fontes também rodou uma nova versão cinematográfica de um clássico. Ele está no elenco de “Toda nudez será castigada”, de Nelson Rodrigues, com direção de Daniel Filho. No filme, que estreia ainda este ano, o ator interpretou o antagonista da trama, Patrício, vivido por Paulo César Pereio no longa de Arnaldo Jabor lançado nos anos 1970:
— O Paulo César Pereio fez brilhantemente na primeira versão, inesquecível. Então, eu confesso que prefiro inventar do zero, sem nenhuma referência do que ele fez, apenas uma vaga lembrança e uma certeza de que ele fez muito bem e que eu preciso superar isso de alguma forma em mim. Prefiro não assistir a nada.
Atualmente com 59 anos, o ator conta como tem lidado com a repercussão dos novos trabalhos na internet:
— Eu era uma pessoa muito retraída com relação à proximidade de fãs. Eu entendia que de perto ninguém é normal. Sempre achei que, de uma certa maneira ou de outra, era importante que um fã não conhecesse diretamente o seu ídolo. E agora não. Agora a ideia é que essa distância se encurte e que fiquemos cada vez mais parceiros dessa audiência. Ela está deixando de ser uma situação de massa para virar um público cativo seu, permanente. Então, eu confesso que estou adorando, mas ainda estou um pouco engatinhando nisso enquanto artista. Mas eu vou mergulhar, porque estou achando o máximo, apesar de muitas coisas continuarem como sempre foram. Mas hoje os atores podem realmente ter esse palco eletrônico à disposição 24 horas por dia.