‘Espero que você volte e ser bonita como antes’, diz uma tia de Rafa Kalimann no documentário “Tempo para amar”, que explora temas da maternidade real, disponível no Globoplay. O comentário aconteceu logo após a influenciadora parir Zuza, sua filha com o cantor sertanejo Nattan. Em entrevista ao videocast ‘Conversa vai, conversa vem‘, a comunicadora desabafa sobre as cobranças pelo corpo perfeito que enfrenta desde que era modelo. Leia trecho:
A cobrança para que o corpo volte ao que era antes da gravidez começa dentro de casa, não é? Na verdade, parte da gente mesmo, já que você diz, a certa hora da série: ‘Me me olho e não me reconheço. Em algum lugar ainda mora o desconforto’. Como tem lidado com isso?
Oscila muito. Tem dias que estou super bem com isso tudo e falo: “Tá tudo bem, é um processo, eu tenho que respeitar o processo”. Estou voltando agora a treinar agora, a me alimentar melhor. Mas ten dias que acordo acordo e falo: “Meu Deus, eu quero me olhar e me reconhecer. Ver que a textura do meu cabelo é igual antes”. Meu cabelo tá caindo. Antes não caía, eu não tinha espinha. Meu corpo foi o templo pra trazer minha filha no mundo e essa mudança ia acontecer. Mas tem dias que me gera uma ansiedade. Uma coisa foi marcante: Eu não gosto de provar roupa. Via uma roupa na loja e pensava: “Essa aqui me serve, posso levar pra casa, posso colocar que ela vai servir”. Esses dias, cheguei em casa e ela não me serviu. Ainda não conheço esse corpo. Por nove meses ele mudou. Com dois dias que ela saiu de dentro de mim, ele murchou e não voltou a ser nem o que era nesses nove meses e nem o que era antes. Eu estou me situando aqui, sabe?
Esse deve ser um lugar muito profundo pra você, que já foi modelo e contou que até a sua mãe indicava remédios e dietas para que alcançasse o padrão que era imposto pelo mercado…
Trabalhei isso antes de engravidar. Queria muito engravidar, sempre quis ser mãe. E eu falei: “Quando for pra ser mãe engravidar, eu preciso me desvincular disso”. Já estava vindo de um processo de tirar isso de mim, me livrar dessa pressão estética, dessa cobrança, que não vinha, necessariamente, de mim comigo mesma. Vinha do mundo, de fora. Na época em que eu comecei a modelar, não chegava noventa de quadril. Eu nunca cheguei noventa de quadril. E a fita estava lá toda semana pra colocar no meu quadril, na agência, pra ver se naquela semana eu tinha chegado. Eu não ia chegar, era impossível chegar. E vim carregando isso comigo esse tempo todo. Quando engravidei, falei: “Chega dessa carga. Não cabe mais”. Foi libertador. E agora, se tivesse com essa carga desse jeito hoje, iria estar sofrendo muito.
Dentro do processo de se reconectar com a mulher que você é, como tem sido reencontro entre você e seu companheiro, Natan, como casal? Vocês foram pra Lisboa namorar… Como está a libido, retomaram a vida sexual? Mudou?
Tá tudo normal. A gente já era um casal que conversava muito. Gosta muito de conversar, então, naturalmente, aprofundo assuntos. Tem dia que até ele fala: “Vida, você gosta muito de conversar”. Por isso que gosto tanto de fazer terapia. Gosto de pôr pra fora, falar como estou me sentindo, entender como o outro tá se sentindo. De tentar chegar num lugar junto. Isso facilita esse nosso encontro como casal. Agora, eu tô conseguindo acompanhar ele mais nos shows. Vou com Zuza, às vezes. Deixo ela no hotel em segurança, vou lá no show um pouquinho e volto. Tá gostosinho, sabe?
Qual é a importância do sexo numa relação pra você?
Ah, é muito importante, porque é conexão, é físico ali. Pra mim, sexo é muito espiritual também. É importante que a gente encontre o nosso momento como casal, estar juntos, compartilhar, viver mesmo a atmosfera da paixão, do amor, da lua de mel… A gente está vivendo na lua de mel agora.
Mas, então, você já reencontrou sua libido após a maternidade? Porque tem mulher que demora, não é fácil…
Reencontramos, né (risos)? Mas é uma construção também. E é também olhar para os nossos hormônios. Não é só: “Ah, quero voltar a ser como antes”. É ter um acompanhamento médico, respeitar, entender como pode melhorar. Estou voltando para o exercício físico agora. Se alimentar… Tudo isso ajuda muito no dia a dia. Para tudo: energia, pra libido, pra força física, pra tudo.
Sei que está em outro momento, né. Mas tem uma coisa que sempre admirei em você, a sua liberdade. Sempre foi namoradeira, pegou quem quis: cantor, empresário, atleta, ator. Está vivendo essa história de amor com o Natan, mas, como já contou em outras entrevistas, teve que lidar com muitos casos de traição em relacionamento. A começar pelo seu primeiro namorado, com quem você foi morar aos 15 anos. Depois teve um episódio com seu ex-marido, cantor sertanejo Rodolffo. A sorte de um amor tranquilo com o Natan tem te ajudado a curar essas feridas do passado?
O máximo da nossa relação, da nossa cumplicidade, é ele ser uma pessoa que acolhe os meus traumas. Ainda não tinha encontrado um parceiro que ouvisse com escuta mesmo, com entendimento, de olhar e falar: “Eu entendo e acolho seus traumas, estou aqui pra te ajudar em relação a isso”. Não sei se existe um amor tranquilo. Não acho que é nesse caminho. Mas existem amores que te acolhem mais. Um relacionamento, como todo mundo viu no documentário (“Tempo para amar”, disponível no Globoplay), tem conflitos, questões. Não existe ser tranquilo o tempo todo. São duas pessoas, duas cabeças pensando. São raízes, questões, traumas, passados diferentes. Mas existem amores alinhados, conversados, dispostos. O grande segredo hoje, pra mim, de uma relação tranquila, entre aspas, é ser uma relação disposta a mudar pelo outro, a se reajustar pelo outro, a se conhecer pelo outro. O quanto estou engessada na minha vivência e naquilo em que acredito que tem que ser e o quanto estou disposta também a me moldar, me reinventar se for preciso, desde que não me desrespeite, em uma relação? Amor tranquilo parte daí e não da falta de conflitos.