Nana Gouvêa, de 50 anos, afirmou que foi obrigada a se casar aos 16 anos após engravidar. Em relato publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (25), a atriz abriu a própria história, disse que sofreu violência sexual quando era adolescente, descobriu que estava grávida e foi forçada pela família a manter um relacionamento com o homem.
A declaração foi feita após a repercussão de um caso julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que absolveu um homem condenado por estupro contra uma menina de 12 anos. Ao comentar o episódio, Nana disse que histórias como essa ainda são frequentes. “Meninas são abusadas o tempo todo”, afirmou. “A maioria das meninas não entende o que está acontecendo, como eu não entendia, e não tem força para fugir do cativeiro”, acrescentou.
Ela, então, usou sua própria trajetória para exemplificar situações de abuso contra menores de idade. “Eu nunca quis me casar. Eu queria meu bebê, eu não queria me casar. Eu tinha 16 anos!”, afirmou. “A solução? Casar a garota com o abusador”. A atriz de Porto dos Milagres (2001), da Globo, também relatou episódios de agressão e disse que apanhava ‘no meio da rua’ e dentro de casa.
“Casei com o abusador. História da minha vida”, declarou. Em outro trecho, contou que ouviu do pai: “Volte para o seu marido”, e que, em sua família, “nunca teve mulher divorciada”. “Mulher divorciada só serve para ser mulher da vida”, afirmou ter escutado. Ela se divorciou aos 19 anos, com duas filhas pequenas.
Segundo o relato, o ex-marido a traía, a maltratava e a deixava sozinha, inclusive durante a segunda gestação. Nana contou que, ao aceitar um trabalho no Rio de Janeiro, precisou deixar as filhas temporariamente porque não teria como levá-las. “Fui muito maltratada. Triste como décadas depois tudo está igual”, disse.
Nana ganhou fama nos anos 90 por seu trabalho como modelo, participou de folhetins da Globo e da primeira edição de Casa dos Artistas (2001) no SBT, além de trabalhos em A Turma do Didi e JK na Globo. Nana também foi uma das figuras mais lembradas do Carnaval carioca: desfilou por cerca de 13 anos como rainha de bateria em escolas como Caprichosos de Pilares, São Clemente e Império da Tijuca, antes de se afastar da Avenida em 2009 e morar nos Estados Unidos.