Nem todo grande amor começa no momento certo, com tudo resolvido e pronto para acontecer. Às vezes, ele surge no meio do caminho, atravessa escolhas, demora a se assumir e, por isso mesmo, parece mais real. É nessa linha que Chay Suede define o romance de Pedro, seu personagem em Quem Ama Cuida, com Adriana, vivida por Letícia Colin. À Quem, o ator contou que a história dos dois não segue o clichê do amor à primeira vista e pode frustrar quem espera uma paixão imediata.
“Eu não acho que isso existe na vida real, mas eu acho que o que acontece com eles também não é amor à primeira vista, ou seja, o que acontece com eles é mais próximo do que acontece na vida real e, por isso, talvez frustre algumas pessoas, porque demora a acontecer”, começa.
Chay explica que o romance enfrenta diversas turbulências, especialmente por não acontecer no momento em que o público talvez espere. “Não acontece quando os dois estão livres, desimpedidos, prontos para viverem esse amor. O que me dá uma sensação de que esse encontro dos dois é realista, sabe? E é bonito também não fazer melodrama onde a gente se olha e se ama imediatamente”, completa.
O ponto de partida da trama se dá no dia em que Adriana, após ser demitida da clínica onde trabalhava como fisioterapeuta, vê sua casa destruída por uma enchente, que leva seu marido, Carlos (Jesuíta Barbosa), arrastado pelas águas e acaba com tudo que havia conquistado. Ainda sem entender como seguir, Adriana vai parar em um abrigo, onde conhece Pedro (Chay Suede), um advogado idealista e sensível às desigualdades do mundo.
Após um salto no tempo, Adriana consegue um emprego na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), poderoso empresário do ramo de joias, solitário, endurecido pelas ausências e pela frieza da própria família, especialmente dos irmãos Pilar (Isabel Teixeira), Ulisses (Alexandre Borges) e da cunhada Silvana (Belize Pombal), viúva do seu irmão Belmiro. O relacionamento entre patrão e funcionária começa em confronto, mas, pouco a pouco, se transforma em uma ligação de confiança e amizade genuína. Arthur encontra em Adriana uma companhia leal, e ela começa a enxergar, por trás da aspereza, um homem carente de cuidado.
Esse vínculo provoca um gesto radical. Para impedir que a família, ambiciosa, herde sua fortuna, Arthur pede Adriana em casamento – não por paixão, mas como um pacto de amizade, proteção e gratidão. Dividida entre o orgulho e a urgência de mudar de vida pelo bem da sua família, Adriana aceita o acordo, mesmo com o avô Otoniel (Tony Ramos) se opondo à decisão. Na noite do casamento de Adriana e Arthur, o noivo é assassinado misteriosamente. Adriana, herdeira e última pessoa a estar com ele, torna-se a principal suspeita e é condenada por um crime que não cometeu.