Quando Claudia Raia chegou aos 51 anos, mudou drasticamente de humor. E foi o marido, Jarbas Homem de Mello, quem percebeu que tinha algo errado…
— Ela virou o demônio! — brinca ele, de 56 anos, ao lado da atriz, hoje com 59, em videochamada com o EXTRA.
Ela estava no climatério, em que os hormônios femininos começam a entrar em desiquilíbrio. Acometida por ondas intensas de calor e dores pelo corpo, Claudia acreditava estar exagerando na malhação e na dança. E ficou extremamente irritada no trato com as pessoas. Jarbas acendeu o alerta, sugerindo que a menopausa podia ter chegado. Bingo!
— Eu mesma, que sou toda sabichona, vou a todos os médicos e falo tudo, não percebi — relembra a atriz, que passou a fazer reposição hormonal para tratar os sintomas.
Quatro anos depois, a estrela do teatro e da TV tomou os fãs de surpresa, surgindo grávida aos 55, quando não mais menstruava.
— Luca é filho da menopausa! Ele é o nosso milagrinho. Histórias como a minha são mais comuns do que a gente imagina. No ano em que ele nasceu, 1,2 mil mulheres com mais de 50 anos engravidaram no Brasil — relata Claudia.
O caçulinha da família acaba de chegar de uma viagem a Portugal, onde os pais apresentaram a peça “Cenas da menopausa” com sucesso de público: aproximadamente 40 mil espectadores.
— A gente leva ele para tudo que é lugar. Somos quase uma família de circo — compara Jarbas: — Estamos viajando juntos já faz um ano e três meses.
Claudia complementa:
— Luca nem sabe mais onde está, mas adora! Ele é calminho, companheirão. Está sendo ótimo!
Agora é a vez de o Rio conferir a comédia, com texto e versões musicais de Anna Toledo e direção de Jarbas, em curta temporada no Teatro João Caetano, no Centro da cidade, a partir desta quinta-feira (2). No palco, o casal se desdobra em diversos personagens, retratando com humor e sensibilidade as experiências da mulher 50+ no “segundo ato” da vida. Com cenas curtas e paródias musicais, o espetáculo aborda temas como mudanças no corpo, carreira, saúde, beleza, relacionamentos e a menopausa em si, de forma franca, divertida e reflexiva.
— Na plateia, mulheres e homens se reconhecem e riem de si mesmos. E no final, Claudia se vulnerabiliza e bate um papo com o público sobre suas próprias experiências — adianta Jarbas.
A atriz ressalta que a peça entretém e ensina sem ser didática:
— Eu me exponho, porque há quem ache que por ser artista é mais fácil, diferente. A mulherada me vê e pensa: “Se ela passou por tudo isso, tudo bem eu sentir o mesmo”.