A Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras em abril. Os ajustes do QAV ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato.
Os aumentos variam entre 53% e 56% em todas as modalidades de venda e nas bases da Petrobras.
A Petrobras adota diferentes modalidades de venda para as distribuidoras, cada uma com um preço. A principal é a LPA (Livre para Armazém), que corresponde à entrega em terminais de distribuição. Também se destaca a ETM (Entrega no Tanque Marítimo), usada em regiões abastecidas por navio.
Veja abaixo a lista completa.
Norte/Nordeste
- Belém (PA) – ETM: +54,9%
- São Luís (MA) – ETM: +55,9%
- Fortaleza (CE) – ETM: +55,0%
- Ipojuca (PE) – ETM: +54,7%
- Ipojuca (PE) – LPA: +55,7%
Sudeste
- Betim (MG) – LPA: +54,3%
- Betim (MG) – LPT: +54,5%
- Duque de Caxias (RJ) – LPA: +55,2%
- Paulínia (SP) – EXA: +55,4%
- Paulínia (SP) – LPA: +55,4%
- Guarulhos (SP) – EXA: +55,2%
- Guarulhos (SP) – LPA: +55,2%
- Guarulhos (SP) – LCT: +55,2%
Sul
- Araucária (PR) – EXA: +55,1%
- Araucária (PR) – LPA: +55,1%
- Canoas (RS) – EXA: +54,4%
- Canoas (RS) – LPA: +53,4%
O querosene de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas. No Brasil, ele representa mais de 30% das despesas operacionais do setor. A Petrobras, maior produtora de petróleo do país, responde pela maior parte do refino e pela oferta desse combustível no mercado nacional.
Procurada pelo g1, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) não se manifestou sobre o aumento.
O reajuste ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.
- Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115.
- Nesta quarta-feira, o preço do barril Brent caía 1,80%, a US$ 102,10. Ontem, o combustível fechou em US$ 103,97.
Em março, o reajuste havia sido de 9,4%, também refletindo os preços do barril de petróleo no mercado internacional neste ano.
A alta do combustível, associada à tensão no Oriente Médio, tem afetado companhias aéreas em diferentes países. Com custos maiores, as empresas do setor tendem a repassar parte desse impacto para as passagens ou revisar suas projeções financeiras.
Nesta semana, o Grupo Abra, holding que controla a companhia aérea Gol, havia antecipado que a Petrobras elevaria os preços do querosene de aviação em cerca de 55%.
O diretor financeiro da Abra, Manuel Irarrazaval, afirmou que o aumento anunciado pela Petrobras para abril será “moderado” em comparação com a alta observada no mercado internacional.
Segundo ele, a política de reajustes mensais ajuda as companhias aéreas a lidar com as variações de custos ao longo do tempo. Ainda assim, o executivo disse, em conferência com analistas, que a empresa pode precisar elevar os preços das passagens sempre que o combustível ficar mais caro.
Segundo ele, um aumento de US$ 1 por galão no preço do querosene de aviação pode exigir uma alta de cerca de 10% nas tarifas.
A Azul informou na semana passada que já elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo de três semanas. A empresa também anunciou que pretende limitar o crescimento da operação para lidar com o aumento do combustível.
Entre as medidas previstas está a redução de 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre.