Atual bicampeã de construtores da Fórmula 1, a McLaren vive um início de temporada difícil e sequer conseguiu participar do GP da China, realizado no domingo (14): Lando Norris e Oscar Piastri tiveram problemas no motor Mercedes antes da largada e não iniciaram a disputa. Depois da prova, o chefe de equipe Andrea Stella explicou que duas falhas diferentes na parte elétrica da unidade de potência tiraram os pilotos da corrida.
– Parecem ser falhas elétricas separadas na unidade de potência ao mesmo tempo. Uma coincidência extremamente infeliz, que significou não poder começar a corrida com os dois carros nesta tarde. Vamos investigar junto com nossos parceiros na HPP (Mercedes High Performance Powertrains, a fabricante dos motores) para entender o que aconteceu – disse Stella.
O primeiro problema foi identificado no carro de Lando Norris, antes mesmo da volta de reconhecimento que os pilotos fazem ao saírem dos boxes para alinhar no grid. Apesar de todas as tentativas de fazer o carro funcionar, a McLaren decidiu que o monoposto do atual campeão não tinha condição de deixar a garagem.
– Nada foi modificado entre a classificação de sábado e a inicialização na garagem antes da corrida, mas enquanto preparávamos o carro de Lando para deixar a garagem, um problema elétrico foi encontrado na unidade de potência. Tentamos consertar junto com nossos parceiros na Mercedes HPP, mas não havia forma de fazer isso, o que preveniu ele de iniciar um Grande Prêmio pela primeira vez na carreira.
O gestor da McLaren afirmou que o componente apresentou “problemas de comunicação”. De acordo com Stella, a equipe tentou mexer em diferentes partes do carro de Norris para deixá-lo em condições de ir à pista, mas sem sucesso.
– Vimos que havia problemas com a parte elétrica da unidade de potência. Não pudemos comunicar com esse componente. Tentamos retificar o problema, mudar o máximo de parte possível sem mudar aquela parte em específico, porque levaria um longo tempo e não poderíamos iniciar a corrida. Nós reprogramamos, mas não tinha como consertar, e o carro de Lando não estava em condição de deixar a garagem – explicou.
Como se não bastasse um problema, a McLaren teve um novo percalço com o monoposto de Oscar Piastri minutos depois. O australiano, que já tinha ficado fora da corrida em casa após bater antes da largada, chegou a alinhar no grid. No entanto, uma nova falha elétrica foi identificada pelo time papaia.
– No caso do Oscar, o carro estava apto a ir ao grid sem problemas, mas no grid o carro não ligou de novo. Foi de uma forma similar à do Lando, mas no caso do Oscar foi mais fácil de diagnosticar o problema, na verdade. Parece um problema no mesmo componente da unidade de potência na parte elétrica, mas de natureza diferente – acrescentou.
A McLaren usa motores da Mercedes desde 2021, quando retomou a parceria que fez sucesso nos anos 90 e 2000. No entanto, a equipe ainda enfrenta problemas para se adaptar às unidades de potência desenhadas pela fornecedora alemã.
O novo regulamento deu maior protagonismo à parte elétrica no componente – ela passa a ser responsável por 50% da potência, enquanto a outra metade é de responsabilidade do motor à combustão.
Apesar de o motor Mercedes ser considerado por muitos como o mais potente da F1 2026, Andrea Stella já reclamou publicamente da falta de informações repassadas pela equipe em relação ao componente. O italiano disse considerar que a equipe alemã já tinha um entendimento muito maior do funcionamento da unidade de potência, mas não compartilhou as descobertas com a McLaren.
Depois do abandono duplo antes da largada em Xangai, o gestor disse acreditar que as falhas têm ligação com o hardware do motor – algo que não está no controle da McLaren. Portanto, embora já tenha identificado qual é o problema, a equipe ainda não sabe como resolvê-lo.
– No momento, esses problemas estão entendidos no sentido de sua natureza, mas não totalmente no sentido da raiz do problema. Isso vai exigir inspeção física, porque com os dados que temos disponíveis e com uma inspeção externa superficial, nada indica uma causa raiz específica e mais detalhada, em vez de afirmar genericamente que o problema está em determinada área – analisou, antes de acrescentar:
– Esta é uma área do carro que não está no controle da McLaren, então confiamos inteiramente no que é relatado pela HPP e confiamos totalmente nos relatos. De acordo com os relatos de momento, os dois problemas são de naturezas diferentes. Então parece só uma coincidência que ambos tenham ocorrido ao mesmo tempo, mesmo grande prêmio e que ambos tenham sido terminais. Ao aprofundarmos um pouco mais a análise, poderemos fazer uma avaliação mais completa e verificar se há algo que realmente tenha sido cometido pela McLaren – concluiu.
Apesar de estar na terceira colocação do campeonato de construtores, a escuderia inglesa tem apenas 18 pontos e está a 80 da líder, justamente a Mercedes. A próxima etapa do campeonato será no dia 29 de março, com o GP do Japão.