O piloto George Russell, da Mercedes, afirmou que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) cogitou rever uma particularidade na coleta de energia no procedimento de largada após o GP da Austrália, mas que esbarrou em “visões egoístas”.
— Infelizmente, às vezes, quando se tenta fazer mudanças para o bem do esporte, se uma equipe tem uma vantagem competitiva, como a Ferrari no momento com as largadas, ela não gostaria de ver nada mudar — declarou Russell nesta quinta (12), à Sky Sports F1, antes das sessões do GP da China.
— A FIA só quer facilitar nossas vidas e simplesmente eliminar o limite de coleta [de energia na largada]. Mas, como costuma acontecer, as pessoas têm visões egoístas e querem fazer o que é melhor para si mesmas. Faz parte da F1.
Russell largou na pole na Austrália, mas foi ultrapassado por Charles Leclerc antes da primeira curva devido à forte largada do ferrarista. O piloto inglês disputou a dianteira com o adversário durante a primeira metade da prova e só reassumiu a liderança de vez com a ida do monegasco aos boxes. Depois disso, dominou a pista e venceu com autoridade em dobradinha da Mercedes.
— A FIA estava olhando para potencialmente ajustar isso. Mas, como você pode imaginar, alguns times que estavam fazendo bons começos não queriam, o que acho um pouco bobo. Você provavelmente já pode imaginar qual time é contra isso [mudança de regra], mas não acho que o ganho deles venha dessa questão — complementou Russell.
Russell relatou que a peculiaridade da largada que a FIA cogitou modificar diz respeito ao gerenciamento de energia na volta de formação. Segundo ele, há uma diferença na quantidade do limite de coleta nos carros de acordo com a posição no grid.
— Houve um erro que pegou muitas equipes de surpresa, que foi o limite de coleta [de energia] na volta de formação, uma regra bem singular. A cada volta há um limite de coleta. Os pilotos que largaram na primeira metade do grid e passaram da linha de cronometragem já estavam dentro daquele limite — introduziu o inglês da equipe alemã.
— Então, quando você fez a volta de formação, está gastando e carregando sua bateria, o que contribui para o seu limite de coleta. Os pilotos na parte de trás do grid, quando fizeram a volta de formação, dispararam, cruzaram a linha de largada/chegada e então o limite reinicia porque eles estão efetivamente na volta seguinte.
A Fórmula 1 adotou um novo regulamento técnico em 2026, promovendo a maior reformulação dos últimos anos. Os carros agora produzem e armazenam mais energia, que pode ser utilizada estrategicamente durante a corrida, tanto para atacar quanto para se defender. Além disso, metade da potência do motor é elétrica.
As mudanças foram pensadas para tornar as corridas mais equilibradas e acelerar a transição para tecnologias mais sustentáveis, mas vêm desagradando parte considerável do grid neste começo de temporada. Russell, no entanto, não é um dos críticos do novo regulamento. Apesar da alfinetada na rival Ferrari, o atual líder da temporada minimizou a brecha no procedimento de largada.
— Não estou muito preocupado com isso, mas é definitivamente um desafio. Agora que as equipes sabem do problema, vamos simplesmente dar a volta sobre isso, mas está criando algumas complicações desnecessárias para algo que nem precisa estar ali. Metade do grid se atrapalhou em Melbourne, vamos nos ajustar, sabemos do que precisamos ficar atentos agora. Vamos lidar com isso, as largadas aqui [China] serão muito melhores — finalizou Russell.
A segunda etapa da temporada 2026 da Fórmula 1 começa com o treino livre na madrugada de quinta para sexta-feira à meia-noite e meia. A partir de 04h30, ocorre a classificação sprint no circuito de Xangai.