Funcionários do Wet’n Wild, em Itupeva (SP), denunciaram a falta de equipamento de proteção Individual (EPIs) e más condições de trabalho no parque após a morte de um salva-vidas de 24 anos que foi sugado por um ralo, na tarde de terça-feira (13).
Em entrevista à TV TEM, uma das funcionárias, que preferiu não se identificar, disse que além das condições precárias de trabalho e segurança, como estruturas de madeira apodrecida e equipamentos enferrujados, os funcionários também “não têm dignidade” no dia a dia.
“A gente não têm aquele momento de lazer, não têm respeito, dignidade, não é tratado como um funcionário que faz seu papel e é reconhecido. Não interessa se você está bem, se está menstruada, com dor de cabeça, febre ou com gripe. A gente trabalha lá sem a menor noção se vai voltar vivo”, contou a funcionária.
A mulher também disse que o Water Bomb, atração que fica na piscina em que Guilherme da Guerra Domingos se afogou, estava em situação perigosa e sem grelha de proteção.
Segundo ela, isso não atende ao checklist feito pelos colaboradores.
O parque aquático nega a falta da proteção.
“Ele foi sugado e não saiu da piscina, mas não porque não sabe nadar ou não tem técnica, mas sim porque alguma coisa o impediu. Oito funcionários precisaram tentar tirar ele”, contou a funcionária.
“Foi pura negligência. Não foi falta de aviso. A situação que aconteceu com ele [Guilherme], poderia ter acontecido com qualquer pessoa. O mínimo que ele merece é justiça e o parque tem a responsabilidade de ser transparente e colaborar com a investigação”, afirma.
A funcionária também disse que outros trabalhadores já se acidentaram e precisaram ser afastados. “É um descaso e eu espero que exista justiça”, acrescenta.
Outra funcionária, que também preferiu não se identificar, pontuou que um médico e uma enfermeira que estavam no parque apenas como visitantes precisaram ajudar no socorro de Guilherme, pois a equipe de plantão do Wet’n Wild não estava preparada para o atendimento.
“O salva-vidas age até um momento. Quando é uma ocorrência muito grave, a gente tem que chamar médicos e lá sempre tem um médico e um enfermeiro de plantão […] Fiquei sabendo que tinham dois cilindros [de oxigênio] pela metade, e são três no parque, usaram os três”, contou.
Também em entrevista à TV TEM, um homem que já trabalhou no parque, e que também preferiu não se identificar, disse que não se sentia seguro durante o expediente.
Conforme apurado pela TV TEM, a Polícia Civil intimou um representante do parque para prestar depoimento na próxima segunda-feira (19). O local ficou fechado nesta quarta (14) e quinta-feira (15). A previsão é que as atividades sejam retomadas na sexta-feira (16).
A reportagem também solicitou um novo posicionamento diante dos relatos e a empresa informou que todos os drenos do sistema hidráulico da atração Water Bomb possuíam grades de proteção.
Também disse que a marca Wet’n Wild, com diversas unidades ao redor do mundo, segue padrões internacionais para suas atrações, prezando pelo compromisso com a segurança.
O parque declarou que está colaborando com as investigações da Polícia Civil e que permanece em contato com a família de Guilherme para oferecer o suporte necessário.
“As atrações e piscinas seguem normas rígidas que têm o objetivo de assegurar o bem-estar de colaboradores e visitantes. O parque passa por renovações frequentes e a checagem técnica das atrações é feita periodicamente por equipes internas e externas, conforme as normas em vigor”, diz a nota.
“Nos 28 anos de funcionamento da unidade de Itupeva (SP), não houve qualquer outro caso de óbito envolvendo funcionários ou clientes relacionados às atividades do parque”, completa.
Fonte: G1/TV Tem