Menos de três meses. Menos de 20 jogos. Conquistou o título mineiro, é verdade, mas com uma rejeição brutal da torcida, que cantou adeus como um mantra até a demissão ser formalizada. À distância, parece ter sido devastadora a passagem de Tite pelo Cruzeiro no início deste 2026. Ledo engano. O técnico deixou Belo Horizonte muito mais empolgado do que antes.
– Reacendeu meu tesão! Sim! O prazer, a satisfação do dia a dia. Quando estávamos num momento difícil, fiz uma reunião com todo mundo e disse: “Vem cá, vocês acham que eu cheguei até aqui de graça? Tenho muitas cicatrizes! Querem que eu conte uma história?”. E aí pediram para eu contar. E, daqui a pouco, estávamos todos comemorando em campo. Essa alegria dividida com o funcionário me dá bastante prazer, esse lado humano me deixa bastante feliz.
Tite deixa claro que a relação conturbada com o torcedor teve mão única. Ao Cruzeiro, ele é só elogios: aos dirigentes, à estrutura, aos jogadores. Mas lamenta a falta de tempo para desenvolver o trabalho, que durou apenas 90 dias.
Há algumas semelhanças com o trabalho no Flamengo, entre 2023 e 2024: o título estadual e a incompatibilidade com os torcedores, por exemplo. Mas, desta etapa da carreira, Tite guarda uma mágoa.
– Fiquei muito chateado porque não pude dar tchau para os funcionários nem ter essa relação humana com os atletas. Fui me despedir deles um ano e meio depois, quando nos enfrentamos. Fui solicitado a não ir. Então, é uma falta de respeito humano. Num clube extraordinário, de grandeza extraordinária.
Flamengo e Cruzeiro foram os dois únicos clubes de Tite desde a Copa do Mundo de 2022. Não por falta de convites. Nesta segunda parte da entrevista ao Abre Aspas, ele revela alguns clubes que o procuraram. Outro não é segredo. O Corinthians, mais de uma vez. Em 2025, chegou a aceitar a proposta, mas declinou após uma crise de ansiedade na madrugada antes de se apresentar.
Em 2023, antes de assinar com o Flamengo, recusou duas vezes. E se arrepende. Mais do que isso: pede desculpas ao clube onde obteve suas maiores conquistas.
– Desculpa, Corinthians. Eu errei. Se a gente pudesse rebobinar, eu teria ido para o Corinthians. Porque eu não queria trabalhar naquele ano. Não queria.