A decisão de pendurar as chuteiras é um dos momentos mais difíceis para um jogador de futebol, mas para Oscar não houve tempo nem para se questionar se essa era a decisão correta.
Quase cinco meses depois de enfrentar o maior trauma de sua vida, o agora ex-jogador rescindiu oficialmente seu contrato com o São Paulo e anunciou a aposentadoria dos gramados aos 34 anos.
Em novembro do ano passado, Oscar desmaiou durante uma bateria de exames no CT da Barra Funda, chegou a ficar com o coração parado por dois minutos, recebeu massagem cardíaca e foi encaminhado ao hospital.
Os testes físicos do São Paulo faziam parte da preparação para a temporada de 2026 e contaram com acompanhamento de profissionais do Hospital Albert Einstein, parceiro do clube.
Em entrevista ao portal GE, ele disse:
“Assim que completei o exame eu comecei a passar um pouco mal. Eu expliquei para a mulher que estava comigo, do Einstein, ela perguntou se estava tudo bem, disse que minha pressão estava baixando um pouquinho, e daí o que lembro foi isso, só de ter falado isso para ela, quando eu acordei estavam todos em cima de mim. Meu coração parou por dois minutos ali, e daí eu fiquei ali parado, fizeram massagem cardíaca, aí voltei”.
Enquanto os médicos entravam em alerta, Oscar viveu o que descreve como um sonho, marcado pelo pedido do filho para que reagisse.
“Eu só lembro de ter aqueles sonhos que as pessoas falam que você sai um pouco do corpo, essas coisas assim, sabe os relatos das pessoas de que o coração para, mas depois volta? Eu lembro de estar em um sonho muito bom, estar em uma coisa que é difícil de explicar, eu lembro do meu filho estar falando comigo, eu fico até… (se emociona) O meu filho estar falando “volta, pai, volta”. É difícil falar disso. Daí meu filho falou, eu acordei, vi um monte de gente em cima de mim, aí voltei de novo, perguntei “aonde eu estou? Não estava no sonho?”.
No hospital, Oscar foi diagnosticado com síncope vasovagal, uma perda transitória de consciência causada pela queda da pressão arterial e dos batimentos cardíacos.
Meses antes, o jogador havia identificado uma placa de gordura no coração.
Oscar passou por diversos exames, como cateterismo cardíaco, tilt test, ressonância cardíaca e Holter, e foi submetido a um procedimento de cardioneuroablação, técnica realizada por cateter que reduz a influência do sistema nervoso sobre o coração para prevenir novas pausas ou quedas acentuadas dos batimentos.
“Eu estava me preservando porque estava em fase de exames ainda, os últimos exames fazem 15, 20 dias, que o médico me liberou para fazer esporte, para ter vida normal, então precisava realmente fazer todos esses exames, repetir após três meses, fazer os testes de novo que deram problema, que eu desmaiei. Fiz todos os exames, não tive mais desmaio”.
Após meses de acompanhamento médico, Oscar recebeu a informação de que pode ter uma vida normal, inclusive com prática de esportes, mas com medicação e monitoramento constantes.
A decisão, porém, já estava tomada.
“Assim que eu acordei: “olha, para mim já deu, independente do que der nos exames”. O que aconteceu comigo, depois fiquei uma semana no hospital, eu falei que pra mim já deu, não queria tomar mais esse susto.”
“Até daria para voltar, mas você começa a tomar remédio que te dá fadiga muscular, teria que ter uma atenção redobrada na parte dos jogos, ia ter uma rotina que não é de atleta, é uma rotina de uma pessoa normal. Voltei a ser essa pessoa normal, sem ser atleta, que não preciso ficar me preocupando caso aconteça de novo. Então resolvi me aposentar, resolvi ter uma vida normal com minha família, tranquilo” – disse o ex-jogador.
Neste período, Oscar foi pai pela quarta vez.
Agora, com as chuteiras penduradas, o ex-jogador quer aproveitar o tempo livre dos treinamentos e jogos para viver algo que não conseguia com a rotina de atleta: um contato maior com a família.