Neste ano, Bruna Marquezine volta ao tapete vermelho do Oscar para torcer pelo elenco de O Agente Secreto. “O Wagner Moura me ajudou em um momento muito difícil da minha carreira, quando eu estava fazendo muitos testes lá fora e comecei a questionar se eu realmente tinha vocação para ser atriz. É um privilégio enorme receber conselhos do seu ídolo e ver que ele passa pelas mesmas coisas que você. Ele me disse que eu podia chorar, que eu podia ficar triste, mas que eu já era grande demais para duvidar de mim dessa forma”, conta. “Depois, ele me mandou mensagem perguntando como era ir ao desfile da Chanel, sabe? Como que eu estou vivendo minha vida e, do nada, chega uma mensagem do Wagner Moura?”
Depois de tantos anos no meio artístico, Bruna não perdeu o deslumbre por tudo que a rodeia, de uma mensagem inesperada de Wagner Moura, de um elogio de dona Fernanda Montenegro ou com o desfile de estreia de Matthieu Blazy como diretor criativo da Chanel, marca da qual ficou mais próxima com a chegada do estilista. Desde o início da sua carreira, a moda sempre foi uma ferramenta importante. “Bruna recebia muitos convites para ir a eventos, pré-estreias, premiações. Eu não entendia nada de moda, não tinha dinheiro para ficar comprando roupas diferentes e ela não podia repetir as peças porque a imprensa estava nesses lugares. Comecei, então, a ligar na fábrica de roupas que eu via outras meninas do meio usando e negociava diretamente com eles”, conta sua mãe, Neide.
Quando os eventos pediam peças mais elaboradas, a mãe recorria a Gisele Mehl, que fazia vestidos para diversas atrizes na época. Bruna lembra de ter contratado seus primeiros stylists, a dupla Juliano Pessoa e Zuel Ferreira, aos 18 anos para a divulgação da novela Em Família, em que interpretou a sua primeira protagonista. “Eu não gostava no começo, porque era como se fosse uma obrigação. Mas como uma boa leonina, que tem uma ligação forte com o que é estético, ressignifiquei essa atividade porque, através das roupas, eu conseguia ver versões minhas que eu ainda não tinha visualizado, vi como uma ferramenta de autoconhecimento, principalmente numa idade em que você está se descobrindo.”
Mais amadurecida, a atriz contratou Rita Lazzarotti, stylist e diretora de moda desta Vogue, com quem desbravou o mercado de moda nacional e internacional com mais propriedade e planejamento. “Foi um trabalho conjunto que fizemos a seis mãos. De construir a imagem de moda que fazia mais sentido para ela. Um dos sonhos da Bruna, quando começamos, era trabalhar com a Saint Laurent, mesmo ouvindo de muita gente que ela não era uma menina da moda, que ela jamais estaria nesses lugares e que ela não tinha essa sinergia com esse universo”, diz Juliana Montesanti. Três anos depois disso, em março de 2022, após algumas tentativas, Bruna foi ao seu primeiro desfile da Saint Laurent, sentada ao lado do diretor Pedro Almodóvar. Em seguida, virou o rosto da linha de beleza da marca.
“No meu armário, as peças que considero mais especiais são as vintage, em especial dois vestidos [da coleção de inverno de 2003] do Galliano para Dior”, diz Bruna. Hoje trabalhando com os stylists Pedro Sales e, quando em evento internacionais, com Dani Michelle, Bruna navega nesse universo com mais conhecimento, liberdade e conforto, sempre com o fascínio que parece fazer parte do seu DNA. “Os momentos que mais me entusiasmam são quando as marcas criam algo especialmente para mim, como no último Oscar, que fui usando Atelier Versace. Toda vez que eu vejo meu nome na etiqueta, eu penso: ‘Quem foi o doido que aprovou isso? O que está acontecendo? Esta é minha vida mesmo?’”. Não só é, como parece roteiro de filme, estamos prontos para os próximos capítulos!