Astrid Fontenelle, nos seus mais de 40 anos de carreira, enfrentou algumas situações machistas marcantes. A apresentadora, de 64 anos, contou em entrevista à Quem, que quando começou a trabalhar não se falava muito sobre machismo e que ela só foi entender essas questões quando foi desrespeitada por um chefe.
“Sou de um tempo em que a gente nem sabia o que era machismo. A gente era atropelada. Mas teve um episódio na minha vida que eu acho que foi definitivo. Eu fazia um programa que se chamava Imprensa na TV, em uma redação só de homens, um deles tinha sido meu professor na faculdade e um cara que me ajudou demais. Um dos diretores um dia me chamou de burra no ponto eletrônico”, relembrou.
“Naquele dia eu falei: ‘Ninguém vai falar assim comigo. Não tem chefe que vá falar assim comigo’. Tirei o ponto do ouvido, continuei a fazer a entrevista que eu estava fazendo. Quando acabou, fui até ele e entreguei o ponto eletrônico na mão dele. Ali eu percebi o ambiente tóxico em que a gente trabalhava. Até então, eu não tinha percebido”, contou.
Nestes anos de visibilidade pública e de trabalho à frente de programas importantes para quebrar tabus em relação ao universo feminino, como o Saia Justa, Astrid ficou conhecida por defender pautas feministas. Mesmo assim, ela ficou sem reação ao sofrer um assédio recentemente no aeroporto, onde gravava o programa Partidas e Chegadas.
“Melhorou muito porque pelo menos agora a gente está atenta. E mesmo assim a gente passa por muita coisa. Outro dia um cara passou a mão em mim no aeroporto. Fiquei sem ação! Eu, que sou uma mulher de 64 anos, que tem essa pauta presente na vida, que tem 12 anos de Saia Justa falando sobre isso… Não reagi e fiquei brava comigo depois. Muita coisa ainda passa. Melhorou muito, mas a gente tem que seguir atenta e protetora uma das outras”, afirmou.
No bate-papo com a Quem, Astrid ainda contou como será o 2026 após o fim do seu contrato com o GNT. “Às vezes quando a gente toma um pé na bunda de um namorado, amiga, do patrão, pode ser a oportunidade que a gente queria para a gente ter coragem de fazer o que a gente queria fazer e não fazia porque estava na zona de conforto. Este é o meu caso. Estou cheia de vontade para 2026. Não estou triste. Lamento pelo conteúdo que eu tinha e gostava, que era o Admiráveis Conselheiras e o Chegadas e Partidas. Mas bora criar outros”, disse.