Maior nome da história do surfe brasileiro e uma grande estrela global da modalidade, Gabriel Medina está de volta à elite da modalidade, o Championship Tour, da WSL. O surfista de 32 anos está com sangue nos olhos para buscar seu quarto título mundial e impressionar a influenciadora Isabella Arantes, com quem ele vive uma grande paixão. De acordo com ele, a relação o faz querer ser ainda melhor dentro da água para impressionar a namorada.
Em entrevista exclusiva ao Esporte Espetacular, da TV Globo, o surfista de 32 anos, que agora é treinado por Adriano de Souza, o Mineirinho, abriu o coração e comemorou bastante o retorno ao circuito. Tricampeão mundial (2014, 2018 e 2021) e medalhista olímpico de bronze em Paris 2024, Gabriel ficou fora de ação no ano passado, por conta de uma cirurgia no ombro esquerdo, e não disputa um evento oficial desde as Olimpíadas. A temporada 2026 vai ser iniciada na próxima terça-feira (31), nas famosas direitas de Bells Beach, na Austrália.
– Não é comum a gente ficar em casa, ter uma rotina de um ser humano normal. Então, foi gostoso. Mas, agora, eu estou com saudade da minha vida de atleta, acordar cedo, dormir cedo, me alimentar bem – afirmou Medina ao EE.
Foi durante esse longo período sem competir que Medina passou a viver uma intensa relação amorosa com Isabella, em agosto do ano passado. Feliz ao lado da companheira, ele encontrou a paz de espírito fundamental para retomar a carreira.
– Eu estou namorando, estou amarradão, e isso é um ponto positivo pra mim. Na verdade, a vida é sobre isso, né? A gente estar feliz independentemente do que aconteça. Hoje, eu me sinto completo. O que eu tenho feito mesmo é treinar e surfar. Eu chego em casa e ainda tenho uma parceira para tudo – comentou Medina.
E, para sorte da torcida brasileira, o desejo de impressionar a namorada com grandes resultados nos eventos da WSL vai ser um dos combustíveis do tricampeão mundial. Questionado se o Gabriel apaixonado é um surfista mais consistente, ele não titubeou:
– O Gabriel apaixonado… É que eu gosto de me exibir para minha namorada né. Então, eu vou dar trabalho.
A volta de Medina ao CT foi possível por conta de um convite da Liga Mundial de Surfe. Ele foi agraciado com uma das duas vagas destinadas aos atletas que sofreram lesão na temporada anterior.
– Estou com saudades! A sensação de estar na competição é muito louca, né? Enfim, eu já estou há 15 anos no circuito mundial, e ainda tenho aquele friozinho na barriga, ainda tenho vontade de vencer. Ainda fico pensando o que pode acontecer ali, então, é um jogo mental, envolve muita coisa – disse Gabriel.
Retomada a condição de competidor do Tour, Medina já tem a sua meta bem definida para os próximos meses. Ele está doido para ser tetracampeão do mundo e igualar o australiano Mark Richards com quatro canecos, entre 1979 e 1982. Acima dele está apenas o ícone americano Kelly Slater, ganhador de incríveis 11 títulos mundiais. Além dos três canecos, Gabriel bateu na trave duas vezes, em 2017 e 2019, quando foi vice. E ainda terminou duas temporadas em terceiro lugar (2015 e 2016).
– O quarto é um título que eu quero. Não tem muita gente que tem quatro títulos mundiais. E acima disso só o Kelly. Então, eu penso em vencer mais títulos e claro que eu gosto de pensar passo a passo. Eu me sinto bem, estou confiante, e vou me preparar pra isso. Eu já sei o caminho, eu já estive lá algumas vezes – explicou ele.
Para saciar um pouco a ansiedade para vestir novamente a lycra de competição e intensificar a pré-temporada, o astro organizou, no início de março, o Medina Surf Fest. A disputa aconteceu na piscina de ondas do Beyond, clube de luxo que ele é um dos proprietários, na capital paulista. O evento reuniu um sexteto que é companheiro de Gabriel na elite: Italo Ferreira, Filipe Toledo, Miguel Pupo, João Chianca, Alejo Muniz e Samuel Pupo, além de Ian Gouveia, ex-CT. Campeão olímpico, Italo foi o vencedor.
Além dos sete que estiveram em ação na disputa na piscina, o Brasil tem outros três surfistas no Tour de 2026: o atual campeão mundial, Yago Dora, e Mateus Herdy, dentre os homens, além de Luana Silva, na chave feminina. O calendário prevê 12 etapas, sendo a derradeira delas na legendária onda de Pipeline, no Havaí. É a volta do antigo regulamento que prevê o campeão por pontos corridos, não mais com o WSL Finals, que reunia os cinco melhores de cada naipe ao longo da temporada em um dia único de decisão.
– Eu acho que essa mudança foi essencial na verdade. Eu acho que é o mais justo, porque é muito difícil você ser constante o ano inteiro, né? Do jeito que era o formato antes, você passava o ano inteiro competindo e depois os cinco primeiros iam para uma final separada. E, enfim, eu achava menos justo. Eu acho que pontos corridos, quem fizer mais pontos no final ganhar, é melhor e mais justo – argumentou Medina, que foi campeão mundial duas vezes por pontos corridos (2014 e 18) e uma com o Finals (2021).