Réus na ação de Felipe Massa sobre o “Singapuragate” e a temporada de 2008 da F1, Bernie Ecclestone, Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e Formula One Managemente (FOM) obtiveram permissão para apelar à Suprema Corte inglesa contra a decisão de novembro de 2025, que acolheu e levou para julgamento o processo movido pelo brasileiro.
A informação foi publicada pelo site britânico “Sky Sports” e confirmada pelo ge.
A ação de Felipe Massa contesta a atuação dos réus durante a temporada de 2008. Na visão do piloto e de seus advogados, as três partes envolvidas teriam atuado em conjunto para esconder o caráter intencional do acidente provocado por Nelson Piquet Jr., à época piloto da Renault, no GP de Singapura de 2008 – caso que ficou conhecido no Brasil como “Singapuragate”.
Em novembro do ano passado, a Corte Inglesa rejeitou a tentativa dos réus de encerrar o caso e afirmou que a tese de “conspiração” levantada pela defesa de Massa tem fundamento.
A ação do piloto brasileiro foi acolhida e levada a julgamento, e Felipe poderá tentar obter reparações financeiras – a indenização que Massa busca gira em torno de 64 milhões de libras (R$ 439 milhões). O pedido para que fosse feita uma declaração de que ele deveria ter vencido o título de pilotos de 2008 foi rejeitada; o processo de Massa não falava em tirar o título daquele ano de Lewis Hamilton.
Quatro meses depois, em março deste ano, a Justiça inglesa decidiu que FIA, FOM e Bernie Ecclestone não teriam direito a recorrer ao Tribunal de Apelação contra a decisão que acolheu a ação de Massa.
No entanto, obtiveram direito a solicitar autorização à Suprema Corte britânica para apresentar um recurso direto, o chamado “leapfrog”, restrito a pontos limitados da lei local – esta foi a permissão concedida aos réus nesta semana.
Na decisão de março deste ano que impediu os réus de recorrerem no Tribunal de Apelação, a Justiça inglesa também determinou que eles arcassem com 250 mil libras (cerca de R$ 1,7 milhão, na atual cotação), referentes à parte do piloto nas custas do processo.
Massa questiona o resultado do campeonato de 2008 da Fórmula 1 após o “Singapuragate” – episódio em que Nelsinho Piquet bateu intencionalmente no GP de Singapura daquele ano. A colisão visava ajudar o colega de equipe na Renault, Fernando Alonso, a vencer.
Na ocasião, a equipe do brasileiro e do espanhol não estava em boa fase, e Nelsinho acertou o muro no circuito de Marina Bay para que o safety car fosse acionado. Assim, Alonso seria beneficiado ao parar na hora certa. Foi o que aconteceu.
Felipe Massa, por outro lado, era o líder da corrida e acabou caindo para 13º durante a parada nos boxes – tudo isso graças a um erro da Ferrari, que deixou uma mangueira de reabastecimento de combustível presa ao carro do brasileiro.
Terceiro colocado naquela prova, Hamilton somou seis pontos cruciais para a conquista do título contra Massa, já que terminou o campeonato apenas um ponto à frente do ferrarista.
O escândalo foi revelado ao mundo apenas no ano seguinte; portanto, depois da dramática definição do campeonato no GP do Brasil, quando Massa viu Lewis Hamilton assegurar o título na última curva ao ultrapassar Timo Glock.
Se a prova fosse anulada à época, Massa terminaria o campeonato com 97 pontos, contra 92 de Hamilton, o que lhe daria o título mundial.