O técnico Fernando Diniz foi apresentado pelo Corinthians nesta terça-feira, um dia após ser anunciado como substituto de Dorival Júnior, disse que pode se adaptar ao elenco corintiano e defendeu que é preciso voltar a vencer para aliviar o clima pesado que tem levado torcedores organizados a intimidar os jogadores no CT Joaquim Grava.
— É super normal um time que tem o tamanho da torcida do Corinthians e a força que tem o torcedor organizado. É aquele torcedor que vai no estádio e às vezes ganha o jogo com sua presença. Os jogadores precisam apreender a jogar no Corinthians. E todo mundo. Eu aprender a ser técnico do Corinthians cada vez mais.
Minha presença aqui é para ajudar os jogadores a saberem a lidar com isso. Tirar o que é positivo e trazer vitórias. O que acalma isso é ganhar jogo. Temos que fazer o nossos melhor para o torcedor sorrir o quanto antes — declarou Diniz em entrevista coletiva.
Na conversa com os jornalistas, Diniz refutou o entendimento de que seja um treinador que tenha apego a um só estilo de jogo.
— No fundo eu sempre vou me adaptando aos elencos. O São Paulo, que você citou… Tiveram três São Paulos. O primeiro teve um ponta agudo que era o Antony, depois conseguimos recuperar o Pato como centroavante, com Vitor Bueno e Antony. Depois, no São Paulo que quase foi campeão, jogávamos sem pontas, sem laterais e atacantes de profundidade. Só no São Paulo foi um momento de muitas mudanças.
— O Vasco também um time diferente, e o Fluminense também. O Arias só jogava na esquerda, aprendeu a jogar pela direita. Num primeiro momento tinha o Luiz Henrique, depois com Marcelo e Felipe Melo…
— A minha ideia é procurar fazer o possível para colocar os melhores em campo. O importante é ter jogadores com confiança e coragem, eles que vão dizendo como que eu vou montar e adaptar o time nas fases do jogo, tanto para jogar quanto para marcar.
Com passagem pelo Corinthians como jogador entre 1997 e 1998, Diniz retorna para ser treinador do clube pela primeira vez.
— Estou muito motivado e à vontade. Sei do desafio que é treinar o Corinthians. Já estive perto de vir umas quatro ou cinco vezes. Hoje agradeço por não ter acontecido antes para acontecer no momento que, eu acho, estou mais preparado para enfrentar esse grande desafio.
Ele ressaltou que dará ao Timão a metodologia vencedora que o levou a comandar o Fluminense na conquista da Libertadores em 2023.
— Todo dia é dia de disputar título. Isso faz parte de mim, sobre o que eu penso de futebol e vida. Não ganhamos título no dia da final, ganhamos todos os dias. Isso começou hoje aqui. Um time da grandeza do Corinthians tem que pensar em ganhar todo dia. É um privilégio estar aqui, para todos.
Na apresentação no CT, o executivo de futebol Marcelo Paz agradeceu Dorival Júnior e justificou a escolha de Diniz como novo técnico.
— Primeiro eu entendo que precisávamos de respostas rápidas, precisamos voltar a ganhar rapidamente. Para isso, um profissional que é nascido na Zona Leste, mora na Zona Leste, no Tatuapé, e conhece a casa. Foi atleta do clube. Tem um perfil que nós entendemos se adequa com o que temos no nosso elenco.
— Um elenco que gosta da bola e posse de bola. Um elenco que tem qualidade técnica para desenvolver o jogo que o Diniz costuma fazer, com ideias diferentes e inovadoras. E também a disponibilidade de estar aqui. Houve um acerto rápido.
No primeiro dia de trabalho, Diniz conheceu o elenco corintiano. Ele só terá mais uma sessão de treinamento antes da viagem para a Argentina, onde o Corinthians enfrentará o Platense pela estreia na fase de grupos da Conmebol Libertadores, nesta quinta-feira, às 21h (de Brasília).
Confira entrevista de Fernando Diniz na íntegra:
Comissão técnica
– Pra quem não sabe o Wagner é uma cria do Corinthians, aqui da Penha. Trabalhou aqui de 85 a 96, foi campeão daquela Copa do Brasil. Tem uma história grande e está voltando para casa. Está comigo desde o início da carreira. O Léo Porto já trabalhou com Dorival e já pensei algumas vezes em trazer para trabalhar comigo, ficou cinco anos no Fortaleza. O Lucas é um rapaz do Vasco, é a segunda vez que trabalhei com ele, um talento muito grande da parte da análise e captar minhas ideias. E o Luis Fernando é um fisiologista que tem uma formação diferente. Um médico formado em cardiologia e fisiologia para acelerar os processos. Quero aumentar o volume de treino e intensidade e manter o jogador com saúde.
Fonte: Ge globo