Thiago Branco de Azevedo foi preso após se apresentar na delegacia na manhã desta sexta-feira (27), de acordo com a Polícia Federal (PF) de Piracicaba (SP). O suspeito é apontado como o líder de um esquema nacional de fraudes bancárias milionárias de instituições financeiras contra a Caixa Econômica.

Empresário Alvo de Operação da Polícia Federal se Entrega
Glaucia Juliana de Azevedo e Julio Ricado Iglesiar Oriolo, a esposa e o cunhado do Thiago, se entregaram às autoridades. Todos estavam foragidos desde quarta-feira (25), quando a operação ‘Operação Fallax’ prendeu 15 pessoas.
O esquema envolvia abertura de contas com empresas fictícias com a utilização de nomes de laranjas e até de pessoas que nem existem. A quadrilha também é investigada por crimes de lavagem de dinheiro e estelionato.
Thiago Branco de Azevedo é responsável pela criação de empresas para aplicação das fraudes, tinha vida de luxo e costumava dar festas para cantores sertanejos, informou o delegado da Polícia Federal, Henrique Souza Guimarães.
Os nomes dos artistas não foram divulgados.
Houve cumprimentos de mandados com 15 pessoas presas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, entre elas gerentes de bancos, contadores e laranjas. Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, também é um dos alvos da ‘Operação Fallax’.
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao executivo na capital paulista. O ex-sócio do Grupo Fictor Luiz Rubini também é alvo de mandado na cidade de São Paulo.
‘Pessoa articulada’
O delegado da PF definiu Thiago como uma pessoa articulada. “Ele conseguia cooptar essas pessoas com pagamento de importâncias em dinheiro. Um dos crimes investigados é corrupção ativa e corrupção passiva por conta de gerentes da Caixa Econômica Federal. Então, tinha esse contato, tinha pessoas específicas para fazer contato com os laranjas”, relatou.
Qual era o papel de Thiago no esquema?
No esquema, pessoas eram pagas com importâncias ínfimas de R$ 150, R$ 200 para emprestar o nome. “Chegou a criar uma pessoa fictícia, que não existe. Foi criada no papel só para ser utilizada como laranja”, acrescentou.
“Identificamos que [Thiago] orquestrava a criação de empresas para que pessoas pudessem fazer a lavagem de capitais. Na época ele fazia a lavagem de capitais para uma facção criminosa de São Paulo”, descreveu.
Pessoa fictícia e uso do endereço da Justiça Federal
O delegado da PF detalhou ainda que até, além de usar nomes de familiares, criação de empresas fantasmas, houve até criação de pessoas fictícias.
“Eles pegaram nomes, montaram nomes de uma determinada pessoa, criaram o CPF e fizeram e utilizaram essa documentação para criar sociedade nas empresas. A audácia deles é tão grande que a identificamos que na criação de empresas de forma fraudulenta, foi usado o endereço da Justiça Federal em São Paulo, na Vila Paulista, como se fosse a sede dessa empresa”, explicou.
Operação
Duante a Operação Fallax, são cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia nesta quarta-feira.
Segundo a polícia, a investigação teve início em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas.
No decorrer das investigações, a polícia constatou que a estrutura do grupo era bastante ampla.
“Identificamos aproximadamente 172 empresas que já conseguiram obter financiamentos em várias instituições financeiras como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, em valores de aproximadamente mais de 47 milhões de reais”, apontou o delegado da PF.
Em imóvel na Rua Imperador Adriano, no Condomício Terras do Imperador em Americana (SP), a polícia apreendeu computadores, documentos e aparelhos celulares relacionados à operação.
Ainda em Americana, também foram cumpridos mandados de busca, apreensão e prisão de outro suspeito de envolvimento no esquema em imóvel na Avenida Doutor Armando Sales de Oliveira, no Jardim Ipiranga.
No local, a polícia apreendeu um um computador, um telefone celular.
No interior de São Paulo, ainda são cumpridos mandados em outras cidades como Limeira (SP), Santa Bárbara d’Oeste (SP), Itapira (SP) e Rio Claro (SP).
Na região de Piracicaba (SP), foram 20 mandados de busca e 9 mandados de prisão preventiva.
Fonte: G1