Marcelo Melo se tornou profissional do tênis em 1998, oito anos antes de João Fonseca nascer. Na idade, são 23 anos de diferença, algo totalmente superado na conquista do título de duplas no Rio Open, no último domingo. A convivência com o carioca de 19 anos rendeu elogios de Marcelo, ex-número 1 de duplas e vencedor de Roland Garros 2015 (com o croata Ivan Dodig) e Wimbledon 2017 (ao lado do polonês Lukasz Kubot). Aos 42, o mineiro ressaltou o foco e a disciplina de João – e afirmou que muitos querem que o novato dê “um passo maior que as pernas”.
– Às vezes, criticam demais ele, um jogador já experiente pela idade, títulos que conquistou e que pouquíssimos brasileiros conquistaram. Às vezes, querem que dê um passo maior que as pernas mas, como eu disse, repito e garanto, ele está no caminho certo, no tempo certo, com as pessoas certas no redor – disse Marcelo ao ge.globo, antes da final de duplas.
Na decisão, domingo, o jogo seguiu para o supertie-break, após empate em 1 set a 1 – o holandês Robin Haase e o alemão Constantin Fratzen venceram a primeira parcial por 6/4, e os brasileiros reagiram na segunda por 6/3. Com 8/8 no set desempate, João encaixou um winner de devolução, um golpe preciso de esquerda após o saque adversário que foi ponto. Encerrou a partida com um ace.
– Essa final foi a cereja do bolo do tanto que ele joga, do tanto que eu espero que ela possa tirar, resumidamente, esse supertie-break para a simples dele – avaliou Marcelo Melo, em entrevista ao Jornal Nacional. – Ele pode fazer o mesmo na simples dele, contra quem for o adversário: ir para o ace, ir para a devolução, se divertir como se divertiu hoje. Tenho certeza de que o resultado vai ser positivo. Fico muito feliz de ter tido a oportunidade de, indiretamente, ter mostrado a ele o que ele pode jogar na simples porque ele mostrou isso na dupla.
Marcelo contou como a convivência com o João Fonseca começou.
– Passei a conhecer o João mais na Copa Davis. Uma sinergia muito bacana fora da quadra. Isso, com certeza, transmite para dentro da quadra – contou Marcelo, que estreia, nesta quarta-feira, no ATP 500 de Acapulco, em parceria com o alemão Alexander Zverev. – Ele tem os mesmos pensamentos que eu tive na minha carreira, de grandeza, de onde pode chegar, do foco, da disciplina, de confiar muito na família, no time. Eu acho que isso é extremamente importante. A minha base foi a mesma. Independente de idade, a gente tem a mesma filosofia. Logicamente uma coisa ou outra, ele vai experimentar daqui a uns anos, mas a base.
Para João, vencer o Rio Open na simples segue sendo a meta num torneio que o alçou ao circuito mundial, aos 16 anos, em 2023. Foi no saibro carioca que ele estreou numa competição a nível ATP. O próximo desafio será o MGM Slam, torneio amistoso em Las Vegas, no próximo domingo, a partir das 21h (de Brasília), com transmissão do sportv3.
– É um torneio que eu tenho uma história legal. Como espectador, vim a todas as edições, desde quando o Nadal ganhou. Comecei a jogar em 2023. Foi meu primeiro torneio ATP, foi importante para o meu amadurecimento, para o começo da minha carreira. É um sonho meu ganhar a simples aqui. Acredito que um dia a gente consegue levar para a casa.