Rafinha está ciente das dificuldades que encontrará no São Paulo, dentro e fora de campo. Apresentado na tarde desta terça-feira, no CT da Barra Funda, o novo gerente esportivo do clube cobrou mudança de postura e relembrou os obstáculos enfrentados no Morumbis quando ainda era jogador.
— Escolhi estar aqui. Eu conheço todo mundo. É o mesmo time, as mesmas pessoas. Inclusive hoje já vi todo o movimento que está sendo feito para as coisas serem acertadas, que encontrem uma solução para o que tem pendente. Todos os problemas não podem ser uma muleta para os jogadores. não pode ser muleta para ninguém — destacou o dirigente.
— Eu fui campeão com salário atrasado. Fomos campeões da Copa do Brasil com salários atrasados. Isso não é normal. Em nenhuma profissão isso é normal. Mas entendemos o momento. Respeitando todos, não podemos nos apoiar nisso. Crise política, salário atrasado… Não. Sei o que cada um pode render e entregar dentro de campo. Sabemos que isso incomoda, mas esse é meu papel também. Temos de fazer as coisas andarem. E a recuperação começa com vitória, desempenho, postura. Esse é o meu trabalho. vai ter essa mudança de postura e atitude. Esse momento não vai acabar amanhã — acrescentou.
O elenco tem convivido com atraso regulares no pagamento dos salários. A nova gestão, liderada por Harry Massis, tem um plano para encerrar os problemas e quitar os valores que o clube deve aos atletas. De acordo com o novo gerente, inclusive, há um acordo com o grupo.
Rafinha chega ao departamento de futebol do clube para trabalhar ao lado de Rui Costa, executivo de futebol, e também do presidente Harry Massis. Durante a entrevista de apresentação, o ex-lateral explicou sua nova função no clube.
— Vou fazer essa função de elo entre diretoria e jogadores e comissão técnica, que acho que no momento é o que mais precisa o São Paulo. A prioridade é o futebol. Nesse momento é fazer essa blindagem aqui no CT para o futebol. Como eu vou estar nessa função, vou estar com o Rui, vou participar dessas situações, mas minha parte principal é o futebol. E tenho certeza que tudo o que estiver vai ser consultado. Conheço muita gente do futebol. E o que for necessário, o que puder ajudar, tenho certeza que vou ser consultado — disse.
As recentes manifestações do técnico Hernán Crespo na entrevista coletiva após a derrota no clássico contra o Palmeiras também foram assunto no CT da Barra Funda.
— Foi uma declaração depois de um jogo, uma derrota no clássico. O Crespo tem o respaldo da diretoria, do presidente, do futebol. Naquele momento, fala com o coração. Às vezes não é o momento de responder do jeito certo. Claro que o São Paulo não entra para fazer 45 pontos. Já falei isso como jogador. Estávamos num momento ruim em 2023 e dei essa declaração — falou.
— Sabemos do nosso momento. Sem soberba nenhuma, respeitando o momento que o clube vive. Jamais o São Paulo vai entrar numa competição pensando em permanecer. O São Paulo é muito grande. Todo mundo sabe da grandeza, dessa camisa. Essa declaração foi pelo momento, a derrota no clássico, mas não é o pensamento do São Paulo. Nem do Crespo. Ele sabe a grandeza desse clube. Ele foi campeão aqui. No São Paulo temos que mirar o título — concluiu.