O Santos tem em mãos uma proposta de venda de sua Sociedade Anônima de Futebol (SAF) e deve iniciar nos próximos dias novos capítulos de um longo processo em busca da mudança de clube associativo para clube empresa.
A proposta pelo controle majoritário do clube gira em torno de R$ 1 bilhão. Além do aporte, o grupo também se propõe a assumir de forma integral as dívidas do Santos – há uma estimativa de que esse valor possa chegar a R$ 1 bilhão, também. Como a compra não seria de 100% das ações, isso tornaria o valor de mercado do clube superior a R$ 2 bilhões.
Está por trás da oferta a família Santo Domingo, que controla um grupo chamado Valorem, detentor da TV Caracol, na Colômbia, e de ações na AB Imbev. A família, cujo novo fundo de investimentos está localizado em Miami, também é sócia minoritária no Washington Commanders, time de futebol americano que joga a NFL.
Em maio do ano passado, o Santos contratou a XP investimentos para auxiliá-lo na avaliação de mercado e na busca por investidores. Essa é a primeira oferta oficial.
A construção da oferta
Desde maio de 2025, o Santos passou por um longo processo antes de receber a proposta não vinculante. Isto é, uma proposta que não obriga nenhuma das partes a fechar negócio. Foram meses para mostrar ao mercado as possibilidades que o clube oferece.
A partir da análise de documentos financeiros detalhados, a família Santo Domingo se propôs a investir os cerca de R$ 2 bilhões (sendo R$ 1 bilhão em aporte e outro bilhão em dívidas). Na proposta, o Santos ainda ficaria com uma porcentagem minoritária das ações do clube.
Os próximos passos
Cabe ao Santos, agora, renegociar a oferta, propor novos termos, se assim julgar necessário, e aguardar por uma nova resposta para então dar exclusividade à família Santo Domingo e preparar o terreno para uma mudança estatutária.
O clube, que estuda uma reforma em seu Estatuto há alguns anos, pode propor uma mudança mais rápida apenas no que diz respeito aos termos de uma eventual SAF, fazendo com que o Conselho Deliberativo e depois os sócios votem para liberar ou não a venda majoritária das ações.
Atualmente, o Estatuto veta uma venda desse porte. Desde a contratação da XP, a ideia da diretoria era propor a mudança estatutária com uma proposta em mãos para deixar mais claras as possibilidades.
Só então, com a eventual aprovação de uma venda majoritária das ações, é que o Santos poderá tornar a proposta da família colombiana vinculante. Assim, a oferta será dissecada nos mínimos detalhes, como, por exemplo, quais serão os aportes anuais, entre outras coisas.
Venda sim, mudanças não
A proposta tem no contrato vetos importantes para a manutenção da história do Santos, como a impossibilidade de mudança de nome, hino oficial, cores básicas do uniforme e localização. Os colombianos devem vir nos próximos meses ao Brasil para conhecer de perto a estrutura alvinegra.