Julio Casares “tem tudo tabelado” e apresentará à Polícia Civil, segundo sua defesa, todos os valores que são questionados pelo inquérito policial e que foram depositados em dinheiro na conta bancária.
Em contato com o ge, o advogado Bruno Garcia Borragine, da Bialski Advogados Associados, disse que o presidente do São Paulo tem justificativas para as movimentações financeiras que foram consideradas suspeitas pela Polícia Civil, inclusive para as feitas em espécie.
A defesa de Casares solicitou à Polícia Civil o acesso aos relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que hoje não aparecem anexados ao inquérito.
Segundo Borragine, a partir daí o dirigente apresentará suas justificativas.
Em nota, os advogados de Julio Casares fizeram a seguinte declaração nesta semana:
“Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam a defesa particular de Júlio Casares, afirmam que todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do COAF, possuem origem licita e legitima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.
Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.
Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações – com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial”.
Saques nas contas do clube também são investigados
Além do caso envolvendo Casares, a Polícia Civil analisa 35 saques em dinheiro realizados nas contas do São Paulo entre janeiro de 2021 e novembro de 2025.
A linha do tempo indica R$ 1,5 milhão sacado em sete operações em 2021. Em 2022, R$ 1,2 milhão em seis saques, mais R$ 1,4 milhão em 2023, novamente em seis saques.
O ano de maior movimentação foi 2024, com 11 saques totalizando R$ 5,2 milhões. Em 2025, mais R$ 1,7 milhão em cinco saques.
As duas primeiras movimentações em 2021 foram realizadas por um funcionário do São Paulo. Depois disso, o clube contratou uma empresa de carro forte para fazer as retiradas.
A investigação considera que esta pode ser uma forma de dificultar a identificação dos envolvidos.