A busca por alternativas naturais para reduzir o consumo de açúcar tem levado cada vez mais brasileiros a redescobrirem plantas funcionais fáceis de cultivar. Entre elas, a stevia, conhecida por seu poder de adoçar centenas de vezes mais que o açúcar convencional sem acrescentar calorias, tem se destacado como uma solução doméstica prática, econômica e sustentável.
A popularidade da planta também cresce porque o cultivo em vaso permite consumir a folha em sua forma mais pura, longe de misturas comuns nos produtos industrializados, que frequentemente combinam a stevia com aditivos e outros edulcorantes sintéticos. Em casa, o controle do consumo é absoluto — do plantio à colheita — o que atrai pessoas que desejam evitar fórmulas prontas e priorizar ingredientes de origem confiável.
A primeira retirada das folhas costuma ocorrer pouco mais de um mês após o plantio, quando a planta apresenta maior robustez e volume foliar. Jardineiros experientes recomendam priorizar a parte superior, onde as folhas concentram maior vigor. Caso a planta inicie o ciclo de floração, é importante observar: embora as flores tenham valor ornamental, esse processo pode reduzir a concentração dos glicosídeos responsáveis pela doçura intensa. A poda, nesse caso, atua como ferramenta estratégica, redirecionando nutrientes e energia para o crescimento das folhas e prolongando o período ideal de colheita.
Manejo, luminosidade e podas de estímulo
Espécie rústica e adaptável, a stevia prospera em diferentes níveis de luz, do sol direto à meia-sombra, ajustando-se conforme a temperatura e a umidade local. O equilíbrio na irrigação é um dos pilares do cultivo: o solo deve ser mantido ligeiramente úmido, sem excesso hídrico, condição que favorece a saúde das raízes e evita a proliferação de fungos. Quando a planta alcança cerca de 40 centímetros, o corte das extremidades torna-se decisivo. Essa prática incentiva a formação de novos ramos laterais, ampliando a produção de folhas e garantindo maior rendimento na colheita. Sem esse manejo, a stevia tende a desenvolver-se de forma mais vertical, com menor densidade de folhas por haste.
A versatilidade da folha é um diferencial competitivo frente aos adoçantes processados. Pode ser utilizada fresca, recém-colhida do vaso, ou desidratada para uso prolongado. Em bebidas quentes, como chás e infusões, a recomendação é acrescentar a folha logo após o desligamento do fogo, permitindo que os compostos doces se liberem gradualmente até a bebida atingir temperatura morna. Em preparações frias e cremosas, como smoothies, sucos naturais e vitaminas, a folha pode ser batida diretamente com as frutas e demais ingredientes, conferindo doçura imediata sem alterar significativamente o perfil nutricional da receita.
Um dado que impressiona novos cultivadores é a potência de adoçar de cada folha. Estudos sobre a composição da planta mostram que seus glicosídeos naturais, como o esteviosídeo e o rebaudiosídeo, proporcionam doçura percebida em poucos segundos, com intensidade que pode superar em até 300 vezes a doçura do açúcar comum, dependendo da folha e das condições de cultivo. Na prática, apenas uma folha pequena já é capaz de adoçar completamente uma xícara de 200 ml, o que transforma a planta em um ingrediente de altíssimo rendimento.
Fonte:jp