O Mirassol perdeu nada menos que 14 dos jogadores que integraram o elenco na histórica campanha do quarto lugar no Brasileirão do ano passado. Ainda assim, o clube passa longe de viver o famoso “desmanche”. Mas afinal, como isso é possível?
Internamente, ninguém no Leão encara com preocupação o cenário de saída de atletas. Muito pelo contrário. Trata-se de um movimento esperado e, de certa forma, planejado pelo time.
Não é segredo que a diretoria tentou, sem sucesso, manter peças como Jemmes e Danielzinho, considerados titulares absolutos. Mas mesmo com essas baixas, não há o menor clima de desespero ou sequer lamentação pelas saídas.
Veja abaixo quem deixou o Mirassol desde o fim de 2025:
- Goleiro: Bruno Bertinato
- Zagueiros: Jemmes e Gabriel Knesowitsch
- Lateral: PH
- Volantes: Roni, Matheus Sales e Matheus Bianqui
- Meias: Danielzinho, Gabriel, Guilherme Marques e Yago Felipe
- Atacantes: Chico da Costa, Cristian e Maceió
Entenda por que mesmo com tantas saídas, o Mirassol está dentro do seu planejamento em 2026:
Base mantida
Dos 14 jogadores que deixaram o Mirassol ao término do Brasileirão, apenas três tinham status de titular: Jemmes, Danielzinho e Gabriel. Quem também tem prazo para a despedida é o lateral-direito Lucas Ramon, que assinou um pré-contrato com o São Paulo, mas deve permanecer no Leão até maio.
Ou seja, na prática, Rafael Guanaes teve pouco prejuízo no que se refere à espinha dorsal da equipe. Alguns outros jogadores que não permaneceram também eram utilizados com frequência, casos de Chico da Costa, Yago Felipe e Cristian. Outros, porém, sequer chegaram a jogar ou atuaram pouquíssimas vezes, como Matheus Sales, PH e Maceió.
Mais do que isso, peças consideradas intocáveis, como Walter, Reinaldo e Negueba, além do próprio técnico, permanecem.
Reposição de qualidade
Em um novo patamar no futebol brasileiro, o Mirassol foi ao mercado e elevou o nível de contratações para esta temporada. O clube tem apostado em jogadores que, não apenas disputaram a Série A, mas que tiveram um bom desempenho na elite nacional. São os casos de Lucas Mugni, Galeano (ambos ex-Ceará) e Eduardo (ex-Cruzeiro).
O Leão também olhou para o mercado externo e repatriou nomes que tiveram sucesso recente. O novo homem-gol, André Luís, teve quase 50 participações em gols em 68 jogos nas duas últimas temporadas no futebol chinês. O volante Yuri Lara também atuou com regularidade no Japão nos últimos três anos.
Já entre as apostas vindas da Série B, se destacam o volante Denilson, que teve mais de 45 jogos nas três últimas temporadas e foi um dos destaques do Cuiabá e o atacante Nathan Fogaça, que foi muito atrapalhado por lesões, mas mostrou faro de gol no Novorizontino.
Nova realidade e reestruturação
Com a Libertadores pela frente em 2026, o Mirassol naturalmente mudou o perfil dos reforços de olho na competição continental. No ano passado, por exemplo, o clube não contava com nenhum estrangeiro no elenco, o que já mudou com a chegada do paraguaio Galeano e do argentino Lucas Mugni, ambos ex-Ceará.
A chegada de novos jogadores naturalmente demanda a abertura de espaço no plantel e, até por isso, muitas saídas já eram esperadas. O clube conseguiu lucrar com seu principal ativo – o zagueiro Jemmes, que rendeu mais de R$ 20 milhões aos cofres do time – e elevou de maneira exponencial seu faturamento, que passa por premiações, cotas e outras questões relacionadas à visibilidade.
Com mais dinheiro em caixa, o Mirassol, definitivamente, entra em 2026 em uma nova realidade.