Rádio volta a ser protagonista em cidades do interior ilhadas por falta de energia elétrica e destruição de pontes

Jornal da Notícia

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As listas com os principais itens a serem doados e enviados para as vítimas das enchentes causadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul começam, geralmente, com água. Isso porque o abastecimento está interrompido ou prejudicado em muitos dos 446 municípios — do total de 497 — afetados pela tragédia. Mas nessas listas de itens básicos de sobrevivência também contam pilhas, já que o fornecimento de energia elétrica também foi interrompido em muitas cidades. Elas abastecem lanternas, por exemplo, mas também os rádios de pilha, que desempenham papel fundamental na transmissão de informações, quando outros meios deixam de ter efetividade: TVs não funcionam sem energia elétrica e até a internet fica comprometida. Na cidade de Faxinal do Soturno, que fica 275 km de Porto Alegre, por exemplo, a emissora local tem desempenhado um papel muito importante nos últimos dias. “Podemos dizer que nesses dias vivemos estado de guerra”, comenta Roberto Cervo Melão, que comanda a rádio local e é presidente da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert). “A nossa região ficou ilhada, tanto Faxinal do Soturno como outros 10 ou 11 municípios das proximidades de Santa Maria, tanto pela falta de energia como pela destruição de pontes e cabeceiras pelas cheias dos rios”, explica Cervo. “São cidades de 20 mil ou 10 mil habitantes e desde que começaram as enchentes nós temos transmitido pela rádio os pedidos de ajuda, a necessidade de socorro e muitas informações de alerta, com isso salvamos muitas famílias, que estavam isoladas em cidades menores, longe da visibilidade das equipes de socorro”, diz. “Tem sido impressionante o papel do rádio. Parece que o único meio de comunicação aqui na região, que realmente está funcionando e nós temos trabalhando incansavelmente falando sobre o assunto, nem tocamos música na programação”, explica.

 

Fonte: JP

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