Evangélica abre sex shop voltado para o público gospel

Entretenimento

sex shop
Quando Gislaine Brito decidiu se reinventar em 2020, a filha dela deu a ideia da mãe abrir um sex shop. Entretanto, no começo foi difícil, já que a empresária é membro da Congregação Cristã no Brasil e no começo isso era mal visto na igreja, mas o empreendimento prosperou e ela fez disso a sua principal fonte de renda

Em 2020, Gislaine Brito decidiu que estava na hora de recomeçar. Ela, que trabalhou durante 25 anos em uma loja de artigos de luxo em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, estava insatisfeita com o que vinha fazendo e sentia que podia mais.

Evangélica, membro da Congregação Cristã no Brasil, pediu em oração para que Deus mandasse um sinal. “Pouco tempo depois, minha filha Bruna disse que eu deveria abrir um sex shop, o Béli Boutique. Na época, não entendia nada sobre o assunto. Mas, hoje em dia, amo o que faço”, explica em entrevista.

Prazer e preconceito: a jornada de abrir um sex shop sendo evangélica

Ao mesmo tempo, sexualidade continua sendo um tabu dentro da religião, principalmente nas mais conservadoras, como a Congregação.

Isso fez com que Brito enfrentasse situações delicadas dentro e fora do templo.

“O pessoal da igreja que frequento começou a fazer comentários de que aquilo não era certo, me olhavam torto na rua. Até o pastor veio falar comigo na época para dizer que aquilo era pecado. Mas o que tem de errado nisso? É um emprego como qualquer outro. Não sou menos temente a Deus: muito pelo contrário, porque Ele prega o amor”, pontua.

E se as palavras “sexualidade” e “religião” são raramente usadas na mesma frase, Gislaine tem convertido fiéis que antes tinham o seu desejo sexual negado a se descobrirem.

Em quatro anos de negócio, a empreendedora revela que o seu comércio foi a porta de entrada para o primeiro contato com acessórios do mundo adulto de diversas mulheres, casais e homens.

“No começo foi complicado, porque eu não sabia de nada – nem o que era um plug anal, por exemplo. Então, como não usava nada, esperava o feedback das clientes para saber como funcionava e explicar da melhor maneira para quando outra pessoa viesse à loja. Hoje em dia, é quase que uma terapia ajudar quem me procura. Sei de mulheres que vieram comprar um vibrador e tiveram o primeiro orgasmo da vida ou ainda casais que melhoraram a vida a dois”, divide.

Essa troca tem sido enriquecedora para a empresária também, pois a ajudou a repensar o lugar que a sexualidade ocupa na sua vida. “Antigamente, tinha a cabeça fechada para algumas coisas, mas o sex shop me fez ter um olhar mais gentil e sem preconceitos contra o próximo”, explica.

“Claro que tem uma irmãzinha ou outra que ainda fala do meu trabalho, como se eu não fosse serva de Deus. Mas uma delas, quando precisou comprar um produto, veio até mim. Fiquei em dúvida se ajudaria ou não. Mas ao invés de ficar falando para todo mundo sobre, fui lá e ajudei. Afinal, Deus prega que precisamos ajudar o próximo, não?”, completa com um sorriso.

Os produtos mais vendidos

A empreendedora acredita que a descoberta do prazer sexual é importante não só para as mulheres solteiras, mas também para as casadas.

Por exemplo, quando algum relacionamento na igreja não vai bem, há encontros de casais para ajudar.

“Existem outros recursos que podem ajudar. Por exemplo, muitas mulheres não têm prazer sexual porque, na hora do sexo, dói, machuca, ou seja, não se lubrifica. Então, o lubrificante ajuda bastante. Muitas vieram me agradecer depois, falando que ajudei no relacionamento”, revela.

Além dos lubrificantes, a empresária conta que os produtos mais vendidos no sex shop são destinados à região anal. “Tem algumas que não querem sentir dor, outras que querem. Uma noivinha chegou na loja uma vez e disse que prometeu para o marido que iria fazer sexo anal com ele se ele a pedisse em casamento. Então ela queria alguma coisa que não doesse na hora”, brinca.

Mas, num todo, Gislaine acredita que a procura por esses produtos para a região anal vai muito além da curiosidade. “Não posso afirmar, mas acho que ainda existe a ideia de que se a pessoa faz sexo anal, não perde a virgindade. Isso faz com que muita gente solteira da igreja venha procurar esses produtos”, finaliza.

Fotos: globo.com
Fonte: globo.com
0%